Poucos temas no Brasil deixam as pessoas tão emocionadas quanto privatização. De um lado, quem acha que a iniciativa privada resolve tudo, do outro, quem defende que certas coisas nunca podem sair das mãos do Estado e que vender uma estatal é tipo entregar patrimônio nacional.
Os dois lados falam com fervor, moral, que parece que a gente não está discutindo um assunto econômico, parece que a gente está discutindo religião. Só que o Estado brasileiro, com raras exceções, é um mal controlador de empresas. A regra em qualquer governo é que, mais dia, menos dia, a estatal perde tração. Às vezes porque não consegue investir o que precisa investir, às vezes porque sofre interferência política, às vezes porque fica presa a custos operacionais e regras que aumentam e atrapalham o sistema de controle.
Quase sempre porque reúne tudo isso que eu falei a um só tempo. Pega os Correios, 2025, a empresa perdeu R$ 8,5 bilhões . Você sabe quanto, nesse ano, os Correios reservaram para investimento? Menos de R$ 500 milhões. Sabe quanto o Mercado Livre separou para investir no Brasil no mesmo período? R$ 34 bilhões. Tudo bem, o dinheiro do Mercado Livre tem logística embutida, tecnologia, marketing e outras despesas estratégicas. Ainda assim, a dimensão é brutal.
O que os Correios reservaram para investir em um ano, o Mercado Livre mobilizou em pouco mais de cinco dias, a cada cinco dias. E por quê? Quando o Estado administra uma empresa, entram as limitações, como eu falei, regras burocráticas, entra a bagagem política, atrás de muitos presidentes de estatais tem um ministro, atrás de decisões importantes tem uma pressão política, arranjos, apadrinhados, gente que chegou ao cargo porque conhece as pessoas certas, não porque necessariamente é a mais competente. A lógica deixa de ser aquilo que vai funcionar, passa a ser aquilo que vai satisfazer o político que controla a indicação.
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