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Oinegue: Correios não têm chance de dar certo na mão do Estado

Por Redação
REDAÇÃO

24/04/2026 • 21:50 • Atualizado em 24/04/2026 • 21:50

Eduardo Oinegue

Tem duas empresas esburacadas no centro do noticiário econômico. E as duas são estatais. É coincidência? Ou tem a ver duas bichadas serem estatais?

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Uma os Correios. O balanço de 2025 acabou de sair: prejuízo de 8,5 bilhões de reais, mais do que o triplo do buraco de 2024, que já tinha sido quatro vezes maior que o de 2023. A gente já não tinha uma sequência de quatro anos de prejuízo desde o inesquecível governo Dilma.

A outra empresa bichada, o banco estatal de Brasília, BRB. Ex-presidente preso, descobriram que ele trabalhava pro Daniel Vorcaro, que estava comprando pro banco uma carteira bilionária de papéis podres do Master e negociando pra ele uma propina de quase 150 milhões de reais em imóveis. E agora ele está aí discutindo delação premiada. O mercado aguardando pra ver o balanço do BRB pra medir o impacto da ladroagem, devia ter saído em março, não saiu, dizem que sai em maio, final de maio. E os primeiros sinais de estrago estão aí já, uma assembleia do banco aprovou um aumento de capital de até 8,8 bilhões de reais, sendo que o governo do Distrito Federal, ou seja, o contribuinte, tem 53% das ações.

Dois rolos, duas estatais. O Estado criou uma infinidade de estatais. A gente chegou a ter ao mesmo tempo, se somar municipais, estaduais e federais, perto de mil estatais. Tinha um monte de lixo e tinha coisa importante: CSN, Teles, Eletrobras, Vale, Petrobras, Embraer, Correios. O Estado poderia ter feito essa exploração de serviço com a iniciativa privada? Poderia, mas isso é outro debate, ele tomou a decisão estratégica de explorar diretamente num tempo em que isso fazia sentido só que agora os ventos mudaram e só teimosia explica ter aí ainda mais de 400 estatais em todas as esferas.

Por que não se livrar delas, né, e apostar em agência reguladora que é mais importante? Você pega CSN, privatizada multiplicou por 30 a operação. Embraer: estatal quebrada, privada virou líder mundial na produção de jatos regionais. A Vale tinha uma das piores rentabilidades do mundo. Era uma espécie de Correios da mineração. Hoje opera com a mesma margem das principais, das duas principais.

Os Correios não têm chance de dar certo na mão do Estado. Inchado, improdutivo, investe por ano o que o Mercado Livre investe a cada 15 dias. No máximo, tá?

BRB, ele já era ineficiente antes do escândalo do Master. A rentabilidade sobre o patrimônio do BRB, 2024 pré-Master, foi de 10%. A média do sistema bancário brasileiro foi 50% maior. Peraí, né? Por que que o Distrito Federal precisa de um banco? Os defensores dizem o seguinte: a estatal faz o que uma empresa privada normalmente não faz. No caso do BRB, verdade absoluta: nenhum banco privado topou fazer a lambança que ele fez com o Master.

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