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Oinegue: CPI começa como esperança, mas acaba em circo

Por Redação
REDAÇÃO

19/03/2026 • 23:14 • Atualizado em 19/03/2026 • 23:14

Eduardo Oinegue
Oinegue

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Reprodução/Band

A CPMI do INSS foi criada para pegar ladrões de aposentados. Aí apareceu o escândalo do Banco Master e os integrantes resolveram surfar a nova onda. A CPI do Crime Organizado foi criada para mapear facções e milícias. Apareceu o escândalo do Banco Master e os integrantes resolveram surfar também a nova onda.

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Que CPI começa prometendo esperança para a sociedade e acaba quase sempre em circo, a gente já aprendeu. Agora, tem uma diferença entre isso e tratar a gente feito palhaço. Como explicar que as duas comissões decidiram convocar para depor justamente a empresária Marta Graeff, ex-namorada do banqueiro Daniel Vorcaro?

Marta no INSS, Marta no Crime Organizado. O nome dela não aparece em nenhum documento envolvendo o tal do "careca do INSS", não aparece conversando com nenhum ex-ministro da Previdência, não tem relação com qualquer entidade de classe envolvida no maior roubo da história do INSS que deveria ser investigado com seriedade. Roubar os aposentados desse país. Isso nunca tinha acontecido desse jeito. Desviaram dinheiro das pessoas depois que ele tava depositado na conta delas. Foram milhões de lesados.

Mas pelo visto, os integrantes da CPMI do INSS não acharam que o trabalho deles tava rendendo holofote, não tava rendendo like e resolveram invadir o picadeiro do escândalo da vez: o escândalo do Banco Master.

Alguém acha que Marta Graeff tem relação com Crime Organizado, esquema com PCC, com Comando Vermelho? Ninguém! Mas como o pessoal da CPI do Crime Organizado parece que se sentia meio abandonado, escanteado, apurando um troço meio sem charme, que não rende stories, deram um jeito de também subir ao picadeiro do Banco Master.

O mais bacana é a justificativa para convocar a Marta. Sabe o que é? O Daniel Vorcaro mandava mensagens para ela contando sobre as reuniões com autoridades. Sim, e as duas CPIs tiveram a mesma ideia. É patético! Mas eles não pararam por aí. A CPMI do INSS chegou a discutir a convocação do presidente do PL, Valdemar Costa Neto e a lógica é verificar se o cunhado de Vorcaro financiou a campanha de Jair Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas em 2022. O que que tem a ver?

Vocês percebem o absurdo? Comissão criada para proteger aposentado saqueado, roubado, tentando auditar financiamento eleitoral de quatro anos atrás.

A CPI do Crime Organizado aprovou além da convocação da Marta, a quebra de sigilo do fundo Arlim, ligado ao Master, que comprou participação da família de Toffoli, dele também, no resort Tayayá no Paraná.

O relator justificou que a administradora do fundo Arlim foi citada numa operação que investigou lavagem de dinheiro envolvendo PCC. Nada a ver! Querem é pegar o Dias Toffoli como se o ministro tivesse alguma relação com facções. Ele pode ter o que explicar, mas não tem nada a ver com isso. Aí nessa quinta, o ministro Gilmar Mendes, acertadamente, proibiu a quebra de sigilo.

Se o Congresso quiser, abre uma CPI do Master! Mas aí... aí pode sobrar lama para muito graúdo, quem sabe pega gente dentro do próprio Congresso?

Então, se não vai fazer isso, deixa a investigação correr onde as coisas realmente avançam no caso Master: na Polícia Federal.

E se não tem mais nada a fazer de útil, encerrem a CPI e voltem a trabalhar sério, se é que sabem fazer isso.

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