
Oinegue: Dívida pública no Brasil corresponde a 79,2% do PIB
Reprodução/Band
Se lançassem aí uma associação dos países perdulários, o Brasil seria candidatíssimo à presidência da entidade. Acaba de sair do forno o último dado sobre dívida pública: 79,2% do PIB. Era 71% em 2023.
Aí nessa hora tem um monte de gente que diz: 'olha, mas espera aí, tem país que deve muito mais. França deve 116% do PIB, Estados Unidos 135%, Japão mais de 200%'. É uma verdade que omite uma informação vital. O Brasil não tá no topo da lista dos endividados, mas é o que mais paga com juros do planeta. Tá no topo: 8% do PIB em juros por ano. Ninguém paga isso. Nenhum país. A França gasta 2,5%. Os Estados Unidos 3,5% do PIB e o Japão pouco mais de 1%.
Por que? Em nenhum lugar a taxa de juros é alta como a nossa. Quando você desconta a inflação, dá 9,51%. Só perde pra Turquia. Quatro vezes a média dos juros praticados pelas 40 maiores economias do mundo. O Brasil gasta com pagamento de juros o dobro das despesas de saúde e educação somadas. Gasta de juros tudo o que custa a previdência, que paga aposentadoria e pensão para 40 milhões de pessoas.
Ainda se os juros fossem altos agora, pontualmente, período específico, vá lá, mas essa novela tem 30 anos. Juros altos, carga tributária alta, despesas governamentais altas. Um sacrifício pra sociedade que tá num grau de endividamento inédito. Um sacrifício pras empresas que não conseguem se financiar. Uma armadilha que só tem solução se a gente enfrentar o debate com seriedade.
Esse ano tem eleição. Os candidatos vão se apresentar, vão propor o país que eles têm na cabeça para os próximos quatro anos. Agora, com que dinheiro que eles vão financiar as ideias deles? Orçamento engessado. Tem regra pra gastar com saúde, pra gastar com educação, pra gastar com previdência. Todas as regras criando um buraco que aumenta a dívida e segura as taxas de juros nas alturas.
Imagina que você recebe um aumento de salário. Você liga pra escola do seu filho e diz: 'olha, eu tive um aumento, então quero pagar um adicional na mensalidade porque eu tô ganhando mais'. Não faz sentido. O custo da escola não tem nada a ver com o seu salário. Mas no orçamento público é assim: se o governo arrecada mais, tem que gastar mais com educação. Não tem risco de dar certo.
Agora, tem saída. Tem saída. A primeira saída: fazer a economia crescer, crescer muito. Aí a proporção da dívida sobre o PIB vai cair. Só que é difícil. Como é que você vai crescer se você tem que investir e ninguém vai investir com essa taxa de juros? Tem mais. Dá pra aumentar mais os impostos. Agora, a sociedade não aguenta mais. A gente paga mais imposto do que americano, o dobro dos mexicanos. Chega, deu!
A terceira é o facão. Facão nas despesas. Aí o esforço é monumental, é gigantesco e vem uma necessidade, que é poder político pra fazer isso. Como reunir esse poder num país onde tudo, tudo é decidido de olho na eleição?
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