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Oinegue: Eleitores estão no clima da manutenção ou mudança?

Por Redação
REDAÇÃO

31/03/2026 • 22:44 • Atualizado em 31/03/2026 • 22:44

Eduardo Oinegue
Oinegue: Eleitores estão no clima da manutenção ou mudança?

Oinegue: Eleitores estão no clima da manutenção ou mudança?

Reprodução/Band

Lula sai ou fica? Ganha eleição ou perde? Eu não sei se você tá decidido a votar no presidente ou se quer trocar o presidente. Mas de qualquer forma, eu imagino que você tenha essa dúvida: ele vai ser reeleito ou vai ser derrotado?

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Essa promete ser a campanha mais difícil que Lula enfrentou. Em 2002, ele viveu o oposto, né? Aquela vitória histórica, porque o Brasil não aguentava mais os tucanos. Ele tava na oposição. Em 2006, muito analista achava o seguinte: "Olha, o mensalão vai destruir a chance de reeleição de Lula." Mas o eleitor não deu bola pra aquilo. Queria votar no PT, como quis votar de novo em 2010. Inclusive, topando votar em Dilma para dar continuidade ao projeto petista. Reelegeu a Dilma quatro anos depois. O resto da história é mais fresco, né? Lula não pôde disputar em 2018, tava preso cumprindo pena. Voltou em 2022 naquela guerra de titãs contra Jair Bolsonaro.

Só que agora, depois de três mandatos dele, dois da Dilma, tem muita gente dizendo: "O projeto petista cansou." Se não tivesse, Flávio Bolsonaro, cujas ideias são desconhecidas, não estaria no topo das pesquisas colado em Lula no segundo turno, ou até à frente de Lula, conforme o instituto. De outro lado, tem gente dizendo que o Lula merece mais quatro anos. Se você pegar eleições anteriores, Lula se beneficiou tanto da vontade de mudar (2002, 2022 como eu apontei), quanto da vontade de manter, que foi o caso da reeleição de 2006.

E agora? Os eleitores estão no clima de mudar ou de manter? Essa pergunta aparece em toda eleição. Em 1989, ninguém queria manter nada. O presidente Sarney terminava o mandato com inflação de 1.000% ao ano. Ganhou Collor que prometia mudança. Na corrida de 1994, o Real tinha entrado em circulação, a inflação tinha sido domada depois de uma dúzia de planos econômicos fracassados. Ninguém queria mudar isso, então eleição de manutenção, vitória em primeiro turno. De novo em 1998, mesma lógica, o Real reelegeu FHC em primeiro turno.

Aí veio a virada vermelha de 2002 por causa do desastre do segundo mandato tucano. 2018, a mudança foi ainda mais radical porque Bolsonaro propôs acabar com tudo: PT, velha política, sistema, tudo. 2022, o Lula nem precisou prometer mudança, não, nem falar de futuro. Ele só falava o seguinte: "Vamos voltar para o passado? Lembra como era bom?" E as pessoas toparam.

E agora? O Lula defende uma economia que cresceu, mas não de forma expressiva, que reduziu muito o desemprego, mas tem contra ele o país dos juros estratosféricos, com endividamento que esmaga o orçamento das famílias. E as pesquisas hoje mostram o tal empate entre Lula e Flávio. Rejeição no mesmo patamar dos dois lados, intenção de voto no mesmo patamar. Quem tá na frente fica festejando aquela vantagem que cabe na margem de erro.

Nome disso: eleição aberta. E eleição aberta significa que a resposta — manutenção ou mudança — não foi dada. O eleitor está avaliando se o que ele viveu nesses quatro anos inspira continuidade ou troca. O pêndulo ainda não escolheu o lado para parar.

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