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Oinegue: Expectativa do PSD é mostrar que dá para virar o jogo

O anúncio de Ronaldo Caiado como pré-candidato a Presidência da República pelo PSD é o destaque do comentário do âncora do Jornal da Band, Eduardo Oinegue

Por Redação
REDAÇÃO

30/03/2026 • 22:13 • Atualizado em 30/03/2026 • 22:13

Eduardo Oinegue

Imagina um candidato a presidente que diz que nossa bandeira nunca vai ser vermelha, que já liderou manifestações que bloquearam agências bancárias, marcharam para cima de Brasília. Jair Bolsonaro? Não, Ronaldo Caiado. Exatamente, Ronaldo Caiado.

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O nome que a terceira via escolheu para combater a polarização na política brasileira. Claro que o Caiado anunciado hoje pelo PSD não é o Caiado radical de 1989, quando tinha 39 anos e quando disse que a bandeira brasileira nunca seria vermelha. Ou o Caiado de anos antes que liderava a União Democrática Ruralista, o UDR, e fez as tais manifestações a que me referi. É outro Caiado. Ele mudou muito. Mudou como Lula mudou.

O Lula eleito em 2002 que colocou um empresário na chapa como vice não guardava relação com o Lula de 1989, que chegou a pregar a estatização do sistema financeiro. O Caiado de hoje tem cabelos brancos, 76 anos, quase a idade de Lula. Quatro mandatos de deputado nas costas, um de senador, dois de governador de Goiás. Um Caiado amansado, mais cuidadoso, mas que de qualquer forma não tem o perfil do outro nome que o PSD tinha para indicar, o do governador Eduardo Leite, bem mais ao centro, com um pezinho na esquerda.

E o PSD optou por Caiado. Curiosamente, a primeira crítica à escolha do futuro candidato não veio nem de defensores da candidatura de Lula, nem da de Flávio Bolsonaro, mas de Eduardo Leite, que gravou um vídeo emburrado nas redes sociais. Leite disse que a decisão do PSD tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada. Chega a ser engraçado, né? Leite aceitou uma disputa interna, conhecia as regras estabelecidas pelo partido. Aí, quando perdeu, repetiu o comportamento de 2022, quando estava no PSDB e perdeu a indicação para João Doria.

É o tal negócio, né? O político a gente conhece mesmo é na derrota, e Leite não soube perder, pelo menos por enquanto. O problema de Caiado, no entanto, não é o adversário interno que ele deixou para trás, é a equação que ele tem pela frente. Ainda que seja antipetista antes de o PT chegar ao poder, Caiado não quer ser visto como um braço auxiliar de Flávio Bolsonaro. Sabe assim, aquela candidatura que a gente já viu de mais em campanhas anteriores, que bate num inimigo comum enquanto a outra candidatura do mesmo espectro político se fortalece, pagando de equilibrado, institucional, responsável?

Nessa disputa só tem uma vaga no segundo turno, a outra, as pesquisas sugerem que já pertence a Lula. O que Caiado tem a oferecer não é, portanto, ideologia, é experiência. Flávio nunca governou nada, nunca administrou um orçamento, e Caiado tem Goiás para mostrar.

Então o sonho de Caiado e de Gilberto Kassab é mostrar ao eleitor antipetista que existe uma opção fora do bolsonarismo, claramente de direita, claramente contra Lula, só que sem o sobrenome Bolsonaro. A história não ajuda, né? Nas nove eleições presidenciais desde a redemocratização, o terceiro nome nunca emplacou. A expectativa do PSD é mostrar que dá para virar esse jogo.

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