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Oinegue: Fila do INSS é maior do que o governo contabiliza

Por Redação
REDAÇÃO

14/04/2026 • 23:06 • Atualizado em 14/04/2026 • 23:06

Eduardo Oinegue
Oinegue: Fila do INSS é maior do que o governo contabiliza

Oinegue: Fila do INSS é maior do que o governo contabiliza

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E se eu te disser que não são apenas 2.700.000 pessoas esperando na fila do INSS? Se eu te disser que é o triplo disso? Pode acreditar. 9 milhões de brasileiros com alguma pendência no instituto. O governo contabiliza aquilo que é impossível esconder: 2.700.000 pessoas, porque elas aparecem em boletins oficiais com pedidos catalogados, em processamento.

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Só que tem mais: 2 milhões de pessoas estimadas que voltam para casa, são obrigadas a buscar mais documento que a burocracia exige, aí perdem o prazo, somem da estatística para voltar lá na frente. Tem 5 milhões, pelo menos, de processos na Justiça Federal porque o INSS negou o pedido ou não respondeu no prazo. Soma tudo: 9 milhões, pelo menos, triplo do que o governo admite.

Pega de 2019 para cá, quando o problema apareceu. Dois presidentes da República, quatro ministros da Previdência, oito presidentes do INSS, todos com a chance de resolver o problema, que só cresceu. Governo agora indo para a nona gestão porque demitiu mais um presidente do instituto faltando seis meses para a eleição. Como se desse para atribuir essa lambança, esse desrespeito a uma pessoa, não ao modelo que o governo não consegue corrigir. Desde janeiro de 2023, a fila mais do que dobrou. Da posse do presidente para cá, quando era menos da metade da atual a fila, Lula falava em zerar. Aí se passaram 39 meses, não zerou coisa nenhuma, e mais uma troca agora no comando do INSS.

Ah, mas a reforma da previdência criou pelo menos sete regras novas de transição que os sistemas levaram meses para absorver. Ah, mas a pandemia represou atendimento presencial. A pandemia foi há seis anos, a reforma tem sete anos. Se o sistema funcionasse como o cidadão merece, já estaria tudo resolvido. Pega o pedido que o INSS fez, autorização para contratar 24 mil servidores. O governo não autorizou. Autorizou 500 peritos médicos num concurso em 2025. Sabe quando eles começam a trabalhar? 2027. Isso é o que tem de concreto.

Agora, por que o sistema da previdência não faz como a Receita Federal? Já entrega o formulário preenchido. Talvez porque o governo prefira investir em tecnologia quando é para receber receita, né? E não para gastar. Quanto mais demorar para gastar, melhor. Cada benefício concedido é despesa permanente. E a previdência gasta um trilhão, quase, por ano, já comprometido com pagamento de aposentadorias e pensões. Então, por que não ir atrasando? Os 2.700.000 casos em processamento representam quase 50 bilhões por ano que não entraram no orçamento. Vai economizando.

E enquanto os aposentados ficam na fila do lado de fora, as portas do INSS ficaram escancaradas para quem? Para os ladrões! Para a quadrilha que desviou bilhões das contas de 6 milhões de aposentados, que operou livremente de 2019 a 2025. Atravessou dois governos, não foi detida. Só parou porque a imprensa noticiou, porque a Polícia Federal, que é um órgão de Estado, agiu. Se dependesse dos sistemas de controle do governo, a roubalheira talvez tivesse comendo solta até hoje.

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