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Oinegue: Michelle Bolsonaro e o papel de madrasta na campanha

Por Redação
REDAÇÃO

02/07/2026 • 23:40 • Atualizado em 02/07/2026 • 23:40

Eduardo Oinegue

Michelle Bolsonaro, madrasta de Flávio Bolsonaro. Quem diria a campanha eleitoral jogando holofote sobre uma das personagens mais marcantes dos contos de fada – que é justamente a madrasta. Quem é que não lembra das madrastas, das histórias infantis, da madrasta da Branca de Neve, a rainha que se achava a mais bela do reino?

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Não é que ela se achava. “O espelho, o espelho meu” dizia. E aí a coisa desanda quando o Branca de Neve cresce, o espelho muda a resposta e a rainha não aceita o surgimento de uma mulher ainda mais bonita.

Madrasta da Cinderela. Faz de tudo para impedir que a enteada vá ao baile no palácio, só que não dá certo, ela vai ao baile, conhece o príncipe encantado, depois daquela história toda do sapatinho de cristal, vive com ele feliz para sempre.

E na campanha de Flávio Bolsonaro, Michelle acabou assumindo esse papel: a madrasta que tenta transformar a vida do enteado no inferno. Nos contos de fadas, elas agem por vaidade, ambição, poder – e os motivos de Michelle ninguém conhece.

Hoje teve uma pesquisa, Atlas Bloomberg, e perguntou ao eleitor o motivo. A resposta mais citada foi que Michele provoca Flávio porque quer ser candidata a presidente. Aí depois aparecem como respostas divergências políticas e pessoais, e em seguida a briga por espaço no PL.

Em resumo, o eleitor enxerga uma disputa de poder no coração da família Bolsonaro. Claro que há diferenças entre ficção e realidade. Nos contos de fadas, a madrasta ataca a enteada de forma direta e Michelle adotou um caminho muito mais sofisticado.

Primeiro com aquele vídeo, extremamente bem produzido, sem qualquer improviso, em que Michele diz que foi humilhada por Flávio num telefonema ocorrido há mais de sete meses. Tem uma hora no vídeo em que ela interrompe a fala, pega uma taça, bebe a água, retoma o raciocínio, tudo lento, tudo sereno.

Se ela ensaiou o texto, se ela acertou na primeira gravação, pouco importa, o resultado é irretocável. Mas as provocações de Michelle não pararam ali porque veio o anúncio de que deixaria a presidência do PL Mulher e o compartilhamento de uma postagem sobre uma suposta festa promovida nos Estados Unidos por Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master, em que mulheres estrangeiras jovens circulavam entre políticos e empresários brasileiros.

Michelle acrescentou a frase “a verdade de Jesus vai prevalecer". Aí Flávio reagiu, negou ter estado em qualquer festa desse tipo e chamou Michelle de “completamente desinformada". Reafirmou que o contato dele com o Vorcaro se resume ao pedido de patrocínio para o filme sobre Jair Bolsonaro – US$ 24 milhões.

Pelo histórico recente, é muito difícil a gente imaginar que esses tenham sido os últimos lances, o último capítulo dessa história, com um detalhe nos contos de fadas.

Todo mundo identifica com clareza o bem e o mal. Na vida real, não dá. Michelle está longe de ser vista pela sociedade como vilã. E Flávio tem que se esforçar para convencer o eleitor de que ele é vítima dessa história.

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