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Oinegue: Moraes deveria explicar o que é democracia para ele

As críticas as recentes decisões do ministro do STF Alexandre de Moraes, são destaques do comentário do âncora do Jornal da Band, Eduardo Oinegue

Por Redação
REDAÇÃO

20/02/2026 • 22:30 • Atualizado em 20/02/2026 • 22:30

Eduardo Oinegue
Oinegue: Moraes deveria explicar o que é democracia para ele

Oinegue: Moraes deveria explicar o que é democracia para ele

Reprodução/Band

O Ministro Alexandre de Moraes podia prestar um grande serviço ao Brasil fazendo uma coisa simples: escrever um texto contando o que é democracia pra ele. Um texto claro, um pronunciamento, ou então pegar um pedaço daqueles votos intermináveis pra dizer onde começa e onde termina a democracia aqui.

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Ele defende o que cabe, o que só tolera, e o que na visão dele sai da fronteira da democracia. Muita gente se guia pela Constituição. Outros complementam recorrendo a pensadores consagrados que colocam o direito de crítica à autoridade como parte da definição de democracia, mesmo quando a crítica é exagerada, injusta e baseada em fatos equivocados.

Esses autores dizem que só a crítica livre leva à correção dos erros do Estado. E aí, se o cidadão perde o direito de criticar, a opinião pública se enfraquece e o poder da sociedade é transferido pra quem está no topo. Já definiram democracia como um direito cotidiano de participar, de contestar, sem medo de retaliação.

O próprio Alexandre de Moraes fala muito em democracia. Já disse que a democracia é o único caminho, que a democracia é construção coletiva de quem acredita na liberdade, que a defesa da democracia é inegociável. O problema é que não fica claro de que democracia ele tá falando. É como alguém que descreve as propriedades do ovo sem dizer como é um ovo. Você até entende que ovo é ótimo, mas não consegue reconhecer um ovo quando vê um.

Alexandre de Moraes, ele comanda aquele inquérito que não acaba nunca, o inquérito das Fake News. E ele resolveu, olha só, encaixar nesse inquérito o presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita, UNAFISCO. Chama-se Kleber Cabral. Mandando o Kleber Cabral prestar depoimento na Polícia Federal porque ele criticou uma decisão do Ministro.

Por que o ocupante de uma instituição democrática chamada Supremo fez isso com um representante de uma entidade de classe que só existe na democracia? Alguém que fez o que a democracia permite, que é criticar um poderoso? Pelo menos a democracia da Constituição, pelo menos a democracia dos pensadores clássicos.

Daí a necessidade de Alexandre de Moraes se manifestar sobre o tema. Moraes abriu uma investigação sobre suposta quebra de sigilo fiscal de ministros do STF e de familiares deles. E autorizou busca e apreensão contra quatro servidores do fisco. Aí a UNAFISCO reagiu com uma nota crítica. Cobrou respeito ao devido processo legal, a presunção de inocência, a proporcionalidade das medidas e Kleber Cabral deu uma entrevista dizendo que há menos medo pra um auditor investigar a facção criminosa PCC do que lidar com o STF.

É uma crítica dura? É dura, mas é crítica. Agora imagina o contrário: Kleber Cabral aplaudindo Moraes, dizendo que a legalidade é um detalhe, que o inquérito das fake news é fantástico, que o Ministro salvou o Brasil no 8 de janeiro e que ele apoia Moraes pra presidente.

Se Kleber Cabral tivesse dado a Alexandre de Moraes o tratamento que a Acadêmicos de Niterói deu ao presidente Lula, na Sapucaí, ele teria sido chamado a depor?

De forma que a gente fica no aguardo da manifestação de Alexandre de Moraes sobre democracia. Escreve pra gente, por favor, o que é democracia pro senhor.

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