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Oinegue: O centenário de Fidel Castro e a previsível ruína de Cuba

Por Redação
REDAÇÃO

14/08/2026 • 22:57 • Atualizado em 14/08/2026 • 22:57

Eduardo Oinegue

Qual é a sua opinião sobre Fidel Castro e sobre a Revolução Cubana? Você acha que os cubanos estão felizes? São perguntas complexas, claro, mas a gente entra nesse tema hoje porque o governo de Cuba comemorou nessa semana os 100 anos do nascimento de Fidel Castro, que liderou a Revolução de 1959 e essa festa acontece num momento delicado, porque Cuba atravessa a maior crise da história dela. Lembra o que acontecia com a Venezuela no tempo de Nicolás Maduro?

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Então você pensa agora num cenário mais grave. Falta comida, falta remédio, falta transporte, falta energia, em algumas cidades os apagões chegam a 20 horas num dia, aí sem eletricidade, param as bombas de água, o transporte fica comprometido, a conservação dos alimentos, os hospitais, tudo vai parando.

Cuba não tem petróleo o suficiente para o consumo básico e está queimando combustível pesado, um resíduo corrosivo que acelera a destruição de usinas que já são envelhecidas. A necessidade de óleo é três vezes maior do que a oferta, a única coisa que sobra por lá é miséria. E é tanta miséria que Cuba perdeu perto de um quarto da população em poucos anos. E quem é que sai? Quem é que vai pra fora? É aquela fatia mais produtiva do país, os mais jovens, os mais preparados são eles que saem, ficam os mais velhos, os mais despreparados, isso produz um desastre econômico, associado a um desastre social e até emocional, porque as famílias, elas se desfazem.

Em 1959 a renda per capita de Cuba era 14 vezes superior à do Vietnã, 7 vezes superior à da Coreia do Sul, aí hoje virou, mas virou muito, o vietnamita tem quase o dobro da renda de um cubano e um sul-coreano 14 vezes a renda de um cubano. O Vietnã e a Coreia do Sul decidiram se abrir e se integrar às cadeias produtivas internacionais e Cuba isolada, estatizada, preservando um sistema que só sabe produzir escassez.

Quando Fidel Castro chegou ao poder, um ano de produção de Cuba equivalia ao que os Estados Unidos produziam a cada cinco dias, agora um ano de produção de Cuba equivale ao que a economia americana produz em um dia e algumas poucas horas. Cuba antes de Fidel Castro era desigual, era corrupta, subordinada aos interesses americanos, Fulgêncio Batista comandava uma ditadura violenta, apoiada por empresários, cassinos, mafiosos, parte da elite, aí Fidel prometeu devolver Cuba para os cubanos, combater a corrupção, distribuir oportunidades, conquistar liberdade, soberania, o regime que ele montou entregou alfabetização, médicos, entregou alguns avanços sociais importantes, mas entregou também partido único, censura, perseguição, prisões, um estado guloso e uma nova elite protegida pelo regime.

Os cubanos não podem votar com liberdade, não podem montar um negócio qualquer que eles queiram montar, não podem organizar partidos, não podem decidir o próprio futuro. Então a revolução expulsou os americanos da ilha, mas falta agora fazer o resto, que é entregar o comando de volta aos cubanos.

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