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Oinegue: o conflito no Oriente Médio e a importância do Estreito de Ormuz

A pergunta é qual vai ser o preço que essa crise vai cobrar de quem não tem nada

Por Redação
REDAÇÃO

03/03/2026 • 23:19 • Atualizado em 03/03/2026 • 23:19

Eduardo Oinegue
Oinegue: o conflito no Oriente Médio e a importância do Estreito de Ormuz

Oinegue: o conflito no Oriente Médio e a importância do Estreito de Ormuz

Reprodução/Band

Os pobres usavam sebo de vaca, ou então de porco, para acender a lamparina, só que soltava uma fumaça preta, marcava o teto, cheirava forte. A classe média fazia o que a classe média sempre faz: misturava. Sebo no dia a dia, ou então gordura de baleia, que também deixava cheiro. E os ricos queimavam produto tirado da cabeça do cachalote: chama mais brilhante, não cheirava mal, era mais caro, mas eles eram ricos.

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Aí apareceu o petróleo: mais eficiente, uma alternativa mais barata, muito mais simples, mais prático para iluminar. Era usado como remédio até então. Você pegava o petróleo, destilava, e saía o querosene. Ninguém achou que ia dar em muita coisa, e aí virou o que virou.

Você pega um barril, sai gasolina, sai diesel, querosene de avião, asfalto, lubrificante. Pega a nafta petroquímica que tem lá dentro também, aí vira plástico, poliéster, borracha sintética. Você faz o fertilizante, a camiseta que você veste, meia de náilon, cano de PVC, caixa do celular. Você faz a espuma do colchão, o estofado do sofá, fralda descartável, embalagem de comida, batom, remédio para dor de cabeça. Não tem outro produto que se infiltrou tão fundo assim no cotidiano das pessoas.

Só que a versatilidade deixa um subproduto: volatilidade de preço. O petróleo, ele tá concentrado nos lugares mais, como é que a gente fala, sensíveis do planeta, como no Oriente Médio, por exemplo. Então a commodity mais importante da civilização, da história da humanidade, depende da boa vontade de autocracias, teocracias e ditaduras.

Aí você tem algumas crises, o preço sobe. Tem outras crises, desaba. Desabou na pandemia, foi uma megacrise. Na guerra sobe sempre. Em 1973, primeira crise do petróleo, o embargo árabe depois da guerra do Yom Kippur quadruplicou o barril em menos de três meses. Você pode imaginar? A maior crise econômica desde 1929.

Aí o mundo descobriu da pior forma possível que ele se organizou em torno da ideia de que o petróleo ia ser barato para sempre. Tinha construído cidades para transitar de carro, carrão, rodovia para todo lado, indústria, cadeias de suprimento com esse pressuposto: petróleo barato sempre disponível em quantidade necessária sempre. E não funcionou assim.

E a gente entra em 2026 com a ofensiva americano-israelense contra o Irã, que apresentou ao mundo a importância do tal Estreito de Ormuz. Até então, era um daqueles pontos geográficos que a gente aprende na escola e daí esquece no dia seguinte, às vezes lembra para a prova. Por esse estreito passa um de cada cinco barris de petróleo consumidos no planeta.

Tem lá 150 petroleiros parados, seguro de navegação disparando, barril subindo. A inflação que os bancos centrais passaram anos tentando domar está encontrando um combustível novo, no caso, combustível em sentido literal. O risco de alta de juros voltou para a mesa.

Então a pergunta agora não é se o petróleo vai sacudir de novo a economia global, não, já está sacudindo. A pergunta é qual vai ser o preço que essa crise vai cobrar de quem não tem nada, absolutamente nada a ver.

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