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Oinegue: o debate que realmente importa é o frescor das ideias

Por Redação
REDAÇÃO

23/03/2026 • 22:57 • Atualizado em 23/03/2026 • 22:57

Eduardo Oinegue

Baixa na campanha presidencial. Olha isso. Antes mesmo de começar, uma aposta no campo das novidades desistiu. O governador Ratinho Júnior anunciou que não sai do Governo do Paraná, vai ficar no cargo até o final do mandato. Coisas da política local deu ruim lá pelos lados de Curitiba. Como oficialmente ele não tinha entrado, não dá para falar em reviravolta, mas o nome do presidenciável do PSD agora está entre Eduardo Leite e Ronaldo Caiado.

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Ou seja, uma campanha que vai ser mesmo animada e já tem tudo para bater um recorde porque se temos uma baixa no campo dos mais jovens, vamos ver um político de oitenta anos pedindo ao eleitor que lhe confie o futuro. Nunca antes na história desse país um candidato dessa faixa etária disputou a presidência com chance real de vitória.

O que chegou mais perto foi o próprio Lula, eleito pela terceira vez aos 76 anos. Na República Velha, o presidente mais velho foi o primeiro, Deodoro da Fonseca, com 62 anos. Getúlio Vargas voltou ao poder pelo voto aos 68. Michel Temer assumiu aos 75. Agora, aos oitenta, é recorde absoluto e deve virar tema de campanha. Tanto deve que Lula está se vacinando com demonstrações seguidas de vitalidade. Nas redes sociais tem vários vídeos dele correndo ao lado de assessores e até mesmo de terno.

Mas debater a idade de Lula é uma bobagem porque não tem uma única indicação de que a saúde do presidente esteja comprometida. O debate que realmente importa não é a idade cronológica dos candidatos, mas o frescor das ideias que eles defendem. Em 1985, o candidato que defendia as ideias mais frescas era Tancredo Neves, que disputou o Colégio Eleitoral contra o encarquilhado Paulo Maluf, que era o candidato do regime militar. Tancredo Neves tinha 74 anos, vinte a mais do que Paulo Maluf.

O eleitor sempre quer o novo. As pesquisas repetem isso há décadas. Ser novo é uma daquelas virtudes que compete com ser honesto, ser competente, ser uma liderança. É um atributo. Atributo em política não é uma característica que o candidato possui de fato, mas uma característica que ele projeta, que ele parece possuir. O novo é o candidato que transmite brilho nos olhos. Pode ser por uma postura diferente, um discurso diferente, mas sempre na medida certa.

Fernando Collor foi isso. Foi o novo em 1989, não porque ele tinha quarenta anos. Ronaldo Caiado, que pode ser candidato novamente agora, tinha a mesma idade dele e não vingou. Lula, de quem Collor ganhou no segundo turno, era quase tão jovem quanto Collor. Tinha 44 anos. O que pesou foi a comparação das propostas. Olha aí o tal frescor das ideias sendo analisado.

Lula perderia duas vezes antes de vencer em 2002. Além da de 1989, em 2002 ele ajustou o discurso, arrumou um vice empresário, divulgou a Carta ao Povo Brasileiro para convencer o mercado de que ele era um presidente confiável. Então o velho Lula radical das eleições deu lugar a um Lula que passou a fazer sentido para o eleitor. O futuro presidente tem agora sete meses para mostrar que vai apresentar um pacote de novidades para os próximos quatro anos, um pacote capaz de tirar o Brasil da mesmice. Pode ser um candidato de oitenta anos ou uma das opções mais jovens, a campanha de 2026 vai dar a resposta.

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