Saiu uma conta que assusta. Você sabe qual é o patrimônio de quase 70% das pessoas no Brasil? Menos de US$ 10 mil. Não é renda anual, é patrimônio. A soma de tudo que a pessoa conseguiu acumular ao longo da vida, descontadas as dívidas.
É carro, casa, dinheiro no banco, poupança, investimento... Soma tudo, tira o que a pessoa deve e dá isso. O brasileiro deve muito dar essa conta: 7 em cada 10 brasileiros acumularam patrimônio de até US$ 10 mil dólares, R$ 50 mil reais
Veja só, o número ele impressiona por si. Agora, quando você compara, é ainda mais impressionante. A conta foi feita pelo banco suíço UBS, que analisou a vida financeira da população de 56 países, o Brasil é um deles. Eles têm país riquíssimo e têm país mais pobre, como Índia, Indonésia e África do Sul.
Sabe qual é a média mundial de gente com patrimônio abaixo de US$ 10 mil? Eu falei que no Brasil é quase 70%. No mundo, pouco mais de 40%. Então, pega pelo inverso. Seis em cada dez pessoas no mundo já passaram dos US$ 10 mil dólares. No Brasil, três em cada dez.
O Brasil não está só abaixo dos países ricos, não. Não, está muito pior do que a média do estudo. Agora vamos para outro corte: pessoas com patrimônio acima de US$ 100 mil. Pouco mais de meio milhão de reais, né?
Na Itália, na Coreia do Sul, mais da metade da população conseguiu isso. Na França, 60%. A Austrália, perto de 70%. E no Brasil? Apenas 8%.
Do ano passado para cá, quase um milhão de pessoas se tornaram milionárias em dólar no mundo. mundo, sabe quantas no Brasil há mais do que no ano anterior? Pouco mais de 9 mil.
A gente tem 2,5% da população mundial e a gente gerou menos de 1% dos novos milionários em dólar de um ano para outro. Então, enquanto o mundo enriquece numa velocidade maior, o Brasil vai ficando para trás.
Não é um bom retrato. A gente vive num país onde a maioria ganha pouco, deve muito, acumula pouco patrimônio, como a gente viu, e tem muita dificuldade para transformar trabalho em riqueza. E isso não acontece por acaso. Ao longo de décadas, o Brasil criou um ambiente que pune quem produz, quem investe, quem empreende.
E aí, em vez de criar as condições para a prosperidade – eu estou falando de educação de qualidade, segurança jurídica, sabe, o contrato vale, crédito, uma taxa razoável... Em vez de fazer isso, o Brasil concentrou boa parte do esforço público em programas de assistência social.
Ninguém está defendendo acabar com eles, mas tão importante quanto amparar quem precisa é criar as condições para que essas pessoas se libertem da dependência. Isso não vai acontecer tributando do jeito que o Brasil tributa cada vez mais, gastando como o governo gasta cada vez mais e sufocando quem produz PIB.
A gente precisa de uma mudança de mentalidade. E olha, hoje saiu mais uma prova de que a mentalidade está na direção errada. Dívida pública, passou dos 81% do PIB em maio, o maior nível em cinco anos. Mais dívida, mais taxa de juros.
O Brasil é o país que mais gasta com juros no mundo. O que trava investimento, encarece o crédito, reduz o crescimento e as oportunidades. Enquanto a gente não entender isso, vai continuar na contramão e espalhando por aí na propaganda que está no caminho certo.
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