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Oinegue: Os desafios de acesso e qualidade da educação no Brasil

Por Redação
REDAÇÃO

27/02/2026 • 23:20 • Atualizado em 27/02/2026 • 23:20

Eduardo Oinegue
Eduardo Oinegue

Eduardo Oinegue

Reprodução/BandNews

Um bilhão de dólares. Pensa nesse número: um bilhão de dólares. Foi esse valor que dizem que uma empresa colocou na mesa pra contratar um engenheiro de software austríaco disputado pelas maiores do ramo de tecnologia do planeta. A Meta já tinha pago 250 milhões de dólares em quatro anos para outro profissional. Dinheiro comprovado, tá? 100 milhões só no primeiro ano.

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Alguém que sabe programar, modelar sistemas, pensar matematicamente num nível altíssimo. Porque a empresa não vai pagar salário alto por simpatia, 'gostei'. Eles pagam por competência. Competência dá retorno. Esse caso do bilhão, obviamente é fora da curva. O outro também. A gente tá falando de gente com uma capacidade intelectual rara, mas tire o exagero, o mercado quer gente que sabe pensar. Você acha que esse engenheiro do bilhão surgiu por acaso? Claro que não.

Ele é fruto de um investimento de país. Na Áustria, onde ele nasceu, passou por uma escola técnica exigente na adolescência. Aprendeu mesmo matemática. Foi treinado para resolver problema, não para ficar repetindo resposta. Então, o bilhão de dólares, se for confirmado, impressiona, mas não é milagre, não. É resultado de um sistema que forma gente para criar. Você enxerga essa preocupação no Brasil? Em 30 anos, o Brasil quintuplicou o número de universitários, matriculados em milhares de cursos, centenas de instituições. Só que nesse período a economia cresceu pouco. A produtividade nada, não avançou. Tem alguma coisa errada nesse caminho.

Mas os políticos ignoram o debate. O Brasil expandiu o acesso, mas e a qualidade? Tá lá embaixo. Apenas um quarto dos jovens atingem a tal proficiência mínima em matemática nas avaliações internacionais. E no topo da qualificação, 1%. O que é pior: a gente tá nesse patamar há 20 anos. Não muda. A maioria conclui o ensino médio sem dominar o raciocínio quantitativo básico. E mesmo assim consegue entrar na universidade.

Não é falta de inteligência, mas é falta de um modelo que estimule capacidade de criar, de pensar. Pega os números de matrículas que a gente tem: só um em cada oito universitários estuda ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Na China, é um em dois. O resultado? A China forma 1 milhão e 300 mil engenheiros por ano, que é mais ou menos o número de engenheiros que a gente tem, do mais novo ao mais velho. Pega o investimento no professor: Finlândia, Singapura, Alemanha... professor é a essência do sistema. Selecionam os melhores e pagam bem.

No Brasil, o salário inicial do professor da educação básica é o mais baixo entre 40 países analisados pela OCDE. Então o resultado: professores formados com lacunas, formando alunos com lacunas, as mesmas que eles têm. Ensinando os jovens a repetir e empregar fórmulas que eles também não sabem muito bem como explicar.

Em tempos de inteligência artificial, o valor está na abstração, na capacidade de resolver o que ainda não tem resposta pronta. Então o engenheiro que recebeu um bilhão de dólares de proposta é produto de um ambiente que ensina a pensar. O Brasil construiu um sistema que ensina a acumular diplomas. E o diferencial é brutal.

O Brasil já tava pra trás antes da inteligência artificial. Agora corre o risco de comer poeira."

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