Quase 15% ao mês no rotativo do cartão de crédito. Isso é assalto! Você sabe que está sendo extorquido. E não é que faltando sete meses para a eleição, o presidente Lula reúne a equipe para pensar em uma medida? Vamos reduzir essa taxa.
A discussão é ótima, só que a primeira ideia que vazou, qual é? A demagogia de sempre: 'Os juros do cartão estão altos? Vamos tabelar!' E olha isso: juro é um problema, bota problema nisso. O Brasil está quebrando recorde atrás de recorde, sociedade mais endividada da nossa história. 80% das famílias com dívida. Você pega a série histórica que começa em 2010, nunca foi assim.
Quase 30% da renda das pessoas, das famílias comprometida com o pagamento de compromissos antes de qualquer outra despesa. Olha esse número: do salário que entra, quase um terço sai para pagamento de juros. O resto das despesas paga como? Fazendo mais dívida!
Pega as empresas: mais de 7 milhões de CNPJs inadimplentes, recorde também. Recorde de recuperação judicial. A taxa média de crédito para as empresas é o maior patamar desde 2016, 10 anos. Compara com o mundo: Estados Unidos, crédito para as empresas gira entre 5,5 e 7% ao ano. Na Europa, pouco mais de 4%. Brasil: 32.8 média.
Tem mais: se o governo quisesse resolver o problema, não mascarar, ia olhar para onde? Contas públicas! Está aí a resposta. Governo gastando mais do que arrecada todo ano. Aí para financiar a gastança, se endivida, joga papéis no mercado e compete com as empresas e com as famílias para pegar o dinheiro disponível. Ele toma tudo, porque quando o maior tomador de crédito do país entra na disputa, os juros sobem. Juros sobem, Selic nas alturas, rotativo do cartão vai a 15% ao mês.
Quer dizer: o governo produz o problema, cria o problema, e agora quer tabelar. Só que tabelar tem consequência. Quando Dilma Rousseff segurou as taxas do financiamento, tabelou, habitacionais da Caixa, abaixo do custo... Que aconteceu com o crédito imobiliário? Ficou mais barato? Não! Sumiu. O banco não vai conseguir cobrir o risco, então ele para de emprestar.
O México fez a experiência, 2021, limitou o juro do cartão, aliás, do crédito pessoal. O que aconteceu? 4 milhões de pessoas foram excluídas do sistema. Foram para onde? Mercado informal. Taxa mais alta, sem regulação, sem proteção.
Então nós estamos falando de uma medida ineficaz, intervencionista, populista e que se fia numa fantasia. Fantasia de que você pode taxar banco, taxar empresa, sem que o custo chegue às pessoas. Vai chegar! O depositante vai receber menos, quem pega empréstimo vai pagar mais, porque no fim da linha tem uma pessoa que não tem como repassar para ninguém.
Então o governo brinca de orçamento, faz esse orçamento Playmobil, contabilidade recreativa, essa versão da contabilidade criativa da Dilma, feita com exclusões autorizadas, sem pedalada. Aí o governo produz o déficit, endivida o país, eleva o juro, sufoca as famílias, as empresas, e depois vira protetor dos mais pobres contra os bancos gananciosos.
Solução real: ajuste fiscal consistente. Aí sim, você controla a dívida, sinaliza, a Selic cai de verdade, o crédito fica mais barato, as famílias podem respirar. Tabelar pode ser muito bom para fins eleitorais. Pro Brasil é um desastre.
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