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Oinegue: selo de acurácia do TSE trata pesquisa como aposta de loteria

Por Redação
REDAÇÃO

15/07/2026 • 22:32 • Atualizado em 15/07/2026 • 22:32

Eduardo Oinegue

O ministro Nunes Marques, que é o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, deu sua primeira contribuição ao debate eleitoral: ele decidiu criar o selo de acurácia eleitoral. Parece fake news, mas é verdade. Nunes Marques resolveu dar um prêmio para os institutos de pesquisa que chegarem mais perto do resultado da urna.

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Vai ter a categoria "boca de urna" e a "categoria pesquisa divulgada sete dias antes da eleição". Como é um selo oficial, vai ter uma cerimônia de entrega depois da eleição, uma coisa bonita. Mas é uma ideia bizarra, porque acertar ou errar pertence ao universo do palpite.

Por exemplo, se você tiver muita sorte – põe sorte nisso – você pode acertar os números da Mega-Sena. Com um detalhe que não é desprezível: não importa o que aconteça no Brasil e no mundo, nada vai alterar os números que você escolheu, nem modificar o resultado da Caixa.

Já com pesquisa de opinião é diferente, porque pesquisa recorre a uma amostra de eleitores ouvida hoje para saber o que o conjunto de eleitores faria hoje, diante de uma lista de candidatos sendo que o eleitor não vai fazer nada hoje – já que a eleição é em outubro. Tudo o que acontece no Brasil e no mundo tem poder de modificar o resultado, mesmo a sete dias da eleição – em alguns casos até no dia da eleição muda.

As pesquisas são uma ferramenta extraordinária, ferramenta que dá à sociedade uma boa noção de como anda a corrida eleitoral no momento em que as entrevistas são colhidas. Mas essa ferramenta está repleta de limitações que são incontornáveis.

Imagina que o ministro Nunes Marques resolva conduzir dentro do Tribunal Superior Eleitoral a pesquisa mais acurada que pode existir, replicando o formato da eleição de verdade. Urna pra todo lado, presença obrigatória de todos os eleitores, multa pra quem faltar, mesário, aquela mega estrutura que ele vai comandar em breve na eleição.

Concorda que é uma metodologia indiscutível, já que todos os eleitores seriam entrevistados? Mesmo com esse grau de semelhança absurda entre a amostra, direitores da pesquisa e os eleitores que vão votar no dia da eleição, ainda assim as coisas podem mudar, por que as pesquisas trabalham com uma matéria-prima complexa: pessoas.

Pessoas são seres pensantes, que muitas vezes mudam de ideia, brigam com o best friend, gostam hoje de um cantor que passam a ignorar amanhã, lutam para conseguir um emprego do qual se demitem, se casam e se separam e fazem a mesma coisa na hora do voto.

E muitas vezes é na hora do voto, literalmente. Nenhum entrevistado assume compromisso ou dá a casa como garantia de que vai votar no candidato que declarou ao pesquisador.

O ministro Nunes Marques pode comprar um termômetro acurado daqueles aferidos pelo Inmetro, caríssimo, e descobrir que está com febre hoje. Mas não inventaram um termômetro capaz de medir a temperatura corporal dele daqui a cinco horas. Ainda mais quando a febre é feito voto, uma questão de opinião.

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