Band Jornalismo

Oinegue: sensação de que obras serão trocadas por votos

Por Redação
REDAÇÃO

10/04/2026 • 23:44 • Atualizado em 10/04/2026 • 23:44

Eduardo Oinegue
Oinegue: sensação de que obras serão trocadas por votos

Oinegue: sensação de que obras serão trocadas por votos

Reprodução/Band

O que você acharia de trocar o voto por um par de sapato ou por uma dentadura? Parece absurdo, né, pensar nisso hoje em dia, mas já foi nossa realidade lá atrás no Brasil da República Velha, né, no tempo do coronelismo, aquela troca entre o eleitor pobre, o fazendeiro poderoso, o coronel que controlava os votos na região e aí com esse poder ele elegia políticos, ele recebia em troca dinheiro, conseguia nomear cargos, contratos, ele ganhava, uma loucura, os tempos felizmente mudaram e até assusta a gente pensar que isso já aconteceu um dia aqui no Brasil, né?

Compartilhar

É estranho e parece atrasado quando a gente escuta qualquer declaração que resvala na lógica do toma lá dá cá, eh, toma aí esse benefício, me dá aqui seu voto, passa aquela impressão ruim de que em vez da gente avançar a gente tá voltando no tempo, mesmo que não seja voltando pra aquele patamar evidente.

Pois nesta semana o Ministro Wellington Dias, do desenvolvimento e assistência social, deu uma dessas declarações com cheiro de passado. Ele é homem inteligente, homem experiente, foi bom governador do Piauí, por isso surpreende imaginar que partiu dele uma declaração esquisita não de um político tosco. Vai ver naquela vontade de mostrar lealdade à candidatura Lula e ao PT ele acabou se excedendo, vai ver nem percebeu, mas o que aconteceu foi que Dias reclamou publicamente que aliados do governo tão recebendo recursos federais e tão inaugurando obras sem associar a entrega das obras ao governo federal. E com isso o eleitor não fica sabendo que a creche, a escola, a ponte, sei lá, foi feita com verba federal.

Aí ele falou: 'em boa parte do país é como se a gente jogasse assim, dinheiro, obra, projetos de helicóptero. Quem tá lá embaixo não sabe quem tá no helicóptero'. Bom, vamos imaginar que as pessoas de fato não saibam quem tá no helicóptero, não saibam bom, que essa obra foi financiada com verba federal. Mas se elas soubessem, isso ia render o quê? Voto? Então a gente quer que as pessoas tenham a impressão de que tão sendo presenteadas com obras, tenham a consciência, a informação. Mas aquela obra não tá ali por causa de uma política pública que foi decidida de maneira técnica e financiada com dinheiro dos impostos das pessoas, do setor produtivo? Em vez de tá recebendo um direito o eleitor tem que agradecer por aquilo que na verdade é uma obrigação do Estado?

Olha, o detalhe que Dias sugere que a dívida de gratidão é com o governo federal especificamente. A ideia é o quê? Recompensar a generosidade votando nos candidatos indicados pelo governo federal. Para, né? Tenho certeza que Dias em momento algum gostaria que a fala dele fosse confundida com o escambo, mas vamos combinar que ele escolheu as palavras, e as palavras que ele escolheu abre espaço para passar essa impressão, essa ideia torta, e bota torta nisso.

Fique bem informado!

Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail

Escolha quais newsletters quer receber