Band Jornalismo

Oinegue: "Será que estamos diante de um mal-entendido?"

Por Redação
REDAÇÃO

07/05/2026 • 23:13 • Atualizado em 07/05/2026 • 23:13

Eduardo Oinegue

Lembra do ex-ministro pego com mais de 50 milhões de reais guardados em malas, sacolas, caixas de papelão num apartamento em Salvador? A defesa explicou: não era propina, era guarda de valores em espécie.

Compartilhar

E aquele primo de um senador mineiro flagrado com 500 mil reais numa mala? Também não era propina. A defesa explicou: era empréstimo entre familiares.

E um ex-governador do Rio de Janeiro que tinha quatro quilos e meio de ouro e 27 diamantes guardados num cofre em Genebra? Também não era propina, era reserva de valor.

Teve o assessor parlamentar pego no aeroporto de Congonhas com 100 mil dólares na cueca, mais de 200 mil reais numa maleta. Você lembra? Não era propina, a defesa explicou: era dinheiro da venda de melões.

E algumas semanas prenderam o ex-presidente do BRB. Ele tinha viabilizado a compra de carteiras de crédito do banco Master. Aí descobriram que ele negociou pra ele quase 150 milhões de reais em imóveis de alto padrão repassados pelo banco Master. Mas também não foi propina, foi negócio imobiliário regular.

Pois a Polícia Federal acaba de chegar a mais um caso que, segundo a defesa do investigado, também não tem a ver com propina. Uma empresa de Daniel Vorcaro repassava a uma empresa do senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, uma quantia mensal que começou com 300 mil reais, evoluiu para 500 mil reais.

Uma empresa do irmão do senador comprou por 1 milhão de reais 30% de uma empresa de energia ligada a Vorcaro avaliada em 13 milhões.

Vorcaro oferecia pro senador um imóvel de alto padrão para uso gratuito por tempo indeterminado. Pagou hospedagens no hotel cinco estrelas em Nova York pro senador, pagou contas de restaurantes do senador e da mulher, mandou o cartão de crédito pessoal para custear despesas do senador e da mulher numa viagem a St. Barth.

Tudo baseado em quê? Na amizade. E o senador quando apresentou ao Senado uma emenda que elevava de 250 mil reais para 1 milhão de reais o limite do fundo garantidor de crédito que Vorcaro festejou quando ela foi apresentada? Também foi na amizade? Uma amizade tão grande que o senador nem se deu o trabalho de redigir a emenda. Ele usou o texto que recebeu por escrito da assessoria jurídica do banco Master.

A exemplo de todas as histórias anteriores, a defesa do senador soltou uma nota. Repudiou qualquer ilação de ilicitude sobre as condutas do senador, especialmente em sua atuação parlamentar, disse a defesa.

Reiterou o comprometimento do senador em contribuir com a justiça e, como é praxe em todos os casos, se colocou à disposição para esclarecimentos, como se tivesse alguma alternativa de não colocar, mas tudo bem. E, por último, ponderou que medidas graves e invasivas foram tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, e podem se mostrar precipitadas e merecem reflexão e controle severo de ilegalidade.

Bom, como a gente vê nas palavras da defesa, a relação de Vorcaro com o senador Ciro Nogueira não envolve propina. Olha que coisa! Será que a gente tá diante de mais um mau entendido?

Fique bem informado!

Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail

Escolha quais newsletters quer receber