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Oinegue: Toffoli se declara suspeito para CPI do Caso Master

Por Redação
REDAÇÃO

11/03/2026 • 22:30 • Atualizado em 11/03/2026 • 22:30

Eduardo Oinegue

Alexandre de Moraes e Dias Toffoli cruzaram uma linha perigosa. Isso não é uma acusação, não, é constatação e o caso Master tá aí para ajudar a gente a entender isso. Você já ouviu falar em distância segura, né? No trânsito, aquele espaço que a gente dá pro carro da frente para não bater. No reino animal, separa a presa do predador, preserva, né? Na medicina, a gente não isola o paciente para impedir que os outros a doença?

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Então, o caso vai mudando, o exemplo muda, mas a lógica é a mesma: proximidade demais gera consequência, em geral estrago. E no mundo do poder, distância segura garante o quê? Independência. E percepção pública de independência.

Quem descuida acaba sentindo o estrago quando já tá tarde. Moraes e Toffoli sabem disso.

Você lembra do todo-poderoso Sérgio Moro? Ele e o Deltan Dallagnol viviam colados como se formassem um time. Trocava estratégia, orientação, caminhos. Aí o que que aconteceu quando a distância segura entre a parte acusadora e o juiz, que deveria ser imparcial, foi ignorada? Quando surgiu tal time, a proximidade que eles achavam que era uma fortaleza virou veneno, botou por água abaixo a maior, é... investigação de corrupção da história do Brasil.

A distância segura é fundamental. E isso não quer dizer reclusão, tá? Pode dar palestra, pode receber prêmio, pode ter vida social. Agora, não pode embaralhar os papéis. E os papéis ficam embaralhados quando surgem escolhas como a da família Moraes.

A mulher do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci, assinou um contrato de 130 milhões com o Banco Master. Tava ok para o banqueiro, parecia ok para o casal. No caso de Moraes, ele achou que era OK ir além. Manter um relacionamento ativo com o cliente da mulher.

Um contrato mega desse, que aproximou Viviane e Vorcaro, deveria afastar Moraes de Vorcaro. Pelo princípio da distância segura. Nada de uísque, sem charuto, sem emoji de joinha no WhatsApp no dia em que o banqueiro seria preso. Mas não foi o que aconteceu.

Com Toffoli, mesma lógica. Como sustentar a distância segura se o ministro vende um empreendimento dele e da família por dezenas de milhões para a turma do Vorcaro e depois vai ser relator do caso Master?

Pelo menos hoje, hoje... o Toffoli deu uma bola dentro. Ele foi sorteado para relatar o pedido que cobra a instalação de uma CPI do Master na Câmara dos Deputados e ele se declarou suspeito. Não vou dar esse parecer, não.

A prova mais forte de que nada disso tá certo, de que essa distância segura não tá sendo preservada, ela tá registrada por escrito. Sabe aonde? Nas notas explicativas que brotam feito mato. Nota do Supremo, nota de Moraes, nota de Viviane Barci, nota de Toffoli.

Num ambiente de distância segura, não ia ter o que explicar, não haveria nota, tanta nota. A nota é a comprovação da existência de uma dúvida razoável que apareceu porque a regra da distância segura foi quebrada.

Distância segura existe para proteger a autoridade honesta e para impedir que a instituição pareça ter sido capturada. Quando a aparência se instala, de captura, o estrago tá feito. E não vai ser mais uma nota que vai restaurar a impressão de independência. No caso, independência do STF.

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