E se o Dias Toffoli e o Alexandre de Moraes deixassem o Supremo? Amanhã. Decisão pessoal. Toffoli cansa de ler sobre o negócio imobiliário da família com fundo ligado ao dono do banco Master, cansa de ouvir que andou de jatinho ao lado do advogado ligado ao banco Master, pede aposentadoria antecipada.
Moraes também, cansa de ver o nome da mulher ligado ao contrato com Master, de ter que dar explicação sobre o que foi fazer no Banco Central, se foi ou não pra casa de Daniel Vorcaro, se irrita ainda com a cobrança... por causa dos inquéritos, fake news, 8 de janeiro, sai também. Aliás, saem juntos.
A notícia iria explodir na imprensa do mundo todo, ia bombar nas redes sociais, político dando declaração, Nikolas Ferreira gravando vídeo, talvez até gente comemorando. Pro presidente Lula, que já indicou Jorge Messias pra vaga do Barroso, a decisão ia abrir duas vagas a mais no STF.
E a gente chega ao ponto: o que mudaria no Supremo?
A saída dos dois iria abrir espaço para nomes de perfil indiscutível ou a gente ia ter a polêmica de sempre em torno dos nomes indicados? Aí passa a sabatina, vem a posse. A nova composição do Supremo levaria pra corte alguma virtude ou eliminaria algum viés que hoje não existe lá?
Uma pista para essa resposta tá na reportagem do Poder360, que reproduziu diálogos que ninguém desmentiu lá dentro, da reunião em que ministros debateram a relatoria de Toffoli no caso Master. O encontro aconteceu depois que o diretor da Polícia Federal levou pro presidente Edson Fachin um relatório com conteúdos dos telefones de Daniel Vorcaro onde o nome de Toffoli aparece.
Na reunião estavam indicados de Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma, Michel Temer, Bolsonaro. Aí num bar... imagina como ia ser a reunião dessa gente, se desentendendo, no grupo de WhatsApp da família iam parar de falar. Mas no Supremo é diferente.
Não tem ali nos diálogos uma crítica a Toffoli. Gilmar Mendes disse: 'o relatório é revide'. Fux disse que Toffoli tem fé pública. Moraes falou que aquele material é papel sujo. Cristiano Zanin definiu o material como um grande nada. Os dois indicados por Bolsonaro também apoiaram Toffoli. Nunes Marques falou em 'nada jurídico' e André Mendonça, que é o novo relator do caso Master, repetiu a ideia de que Toffoli tem fé pública. Posição fechada, bloco unido.
Aí pergunto: Messias e dois novos nomes indicados por Lula mudariam alguma coisa na casa? Esquece o caso Master por um minuto. Eles iriam propor um debate que a casa não faz sobre excesso de decisões monocráticas? Limites do foro por prerrogativa de função? Ativismo judicial? Interferência em políticas públicas? Fim das práticas de ministros conduzindo inquéritos, inclusive aqueles com que foram abertos sem provocação da Procuradoria-Geral da República?
Nos países mais avançados, esse debate não existe, porque não existe isso lá, não há uma instituição que concentra tanto poder. Aqui o Supremo não vê problema.
O novo trio veria problema? Ou então substituir Toffoli e Moraes teria tudo pra ser o de sempre: uma troca de seis por meia dúzia.
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