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Oinegue: Vamos recusar promessas vazias dos candidatos?

Por Redação
REDAÇÃO

03/08/2026 • 23:18 • Atualizado em 03/08/2026 • 23:18

Eduardo Oinegue

Se a gente não se preparar, os candidatos vão começar a temporada das promessas sem qualquer compromisso com a realidade. Um dos grandes desafios de 2027 é o ajuste fiscal. O governo que entrar tem duas saídas: ou enfrenta o desafio ou empurra o Brasil para mais perto do buraco. O Estado arrecada uma fortuna em impostos. É recorde atrás de recorde na arrecadação federal.

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Só que o governo pega essa dinheirama, gasta tudo e, satisfeito, ainda quer mais. Não importa quanto entra: a despesa cresce junto. E, como a conta não fecha, o governo toma dinheiro emprestado. É um saco sem fundo. O ex-presidente americano Ronald Reagan, grande de um frasista, repetia que o Estado é como o bebê: tem um apetite enorme de um lado e nenhum senso de responsabilidade do outro.

No fim de 2022, a dívida bruta estava em 71,7% do PIB e está agora em quase 82%. Para saber se isso é normal, vamos olhar pra economias mais confiáveis do mundo, que mantiveram grau de investimento reconhecido por pelo menos duas grandes agências de risco. São 57 países e o Brasil não está na lista. Entre 2023 e 2026, a dívida média desse grupo aumentou menos de três pontos do PIB. Pela mesma metodologia internacional, a dívida brasileira avançou mais de 10 pontos. Mais do que o triplo.

A comparação é boa para ver que não existe uma epidemia mundial de endividamento. A velocidade brasileira é que está fora da curva. Só que os candidatos evitam essa discussão. E preferem seduzir o eleitor com promessas. Quando falam em corte falam em combate a despesas supérfluas, que não resolve.

A não ser que economia brasileira atravesse uma fase extraordinária de crescimento, só dá para conter o endividamento cortando grandes linhas de despesas , não perfumarias. Sem corte, o ajuste vai ser feito com mais impostos, o que os candidatos também não admitem. Sabe o tamanho do esforço estimado para impedir que a dívida continue crescendo? Algo na casa de 400 bilhões de reais por ano. É quase a soma de tudo o que o governo federal reserva para a saúde e para o Bolsa Família.

Tem candidato prometendo que vai conseguir colocar o Brasil nos trilhos sem cortes e reduzindo impostos. Minha sugestão é a gente selar um pacto. Recusar e denunciar as promessas de quem não explicar de onde virão os recursos para seus projetos. E recusar e denunciar também a contabilidade recreativa de quem diz que basta vontade política para aprumar o país. A gente tem direito de sonhar com um Brasil mais justo. Só que os sonhos precisam caber no orçamento.

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