
Oinegue
Reprodução/Band
Você acha que o dono do Banco Master ameaçou alguém para ter ao lado dele os poderosos e os parentes dos poderosos que ele contratou a peso de ouro? Sei lá, negociando na base do ou você assina esse contrato ou você vai se ver comigo.
E só por causa disso, Ricardo Lewandowski começou a trabalhar para o Master recebendo 250 mil por mês? Guido Mantega, o inesquecível ex-ministro da Fazenda de Lula e Dilma, Guido Mantega passou a servir o Master: 1 milhão de reais por mês. Foi por medo?
A mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, colocou o escritório a serviço do Master: 3 milhões e 600 mil reais por mês. Será que ela se sentia ameaçada? Por que então essas pessoas não procuraram socorro, se elas têm acesso à Polícia Federal, ao Judiciário, em alguns casos, ao Supremo?
Os investigadores não descobriram até o momento nenhum documento, nada sugerindo que o trio foi coagido. O que se sabe, até o momento, é um cálculo. Para Daniel Vorcaro, a mulher de Alexandre de Moraes vale o equivalente a três Guidos e meio e quinze Lewandowskis. Nada além disso.
Aliás, a gente não sabe nem como esses contratos surgiram. Quem deu a ideia para quem? Quem pediu o quê para quem? Que parte tomou a iniciativa? Mas é pouquíssimo provável, em qualquer cenário, que tenham sido assinados à força.
Você acha que o dono do Banco Master conseguiu, por exemplo, montar o Master ameaçando dirigentes do Banco Central em troca da autorização para a compra do banco? E de mais bancos que ele comprou? Ameaçando a CVM? 'Não vai fiscalizar, hein! Não fiscaliza os fundos que eu estou usando.' Ameaçando as empresas de auditoria para passar pano nos balanços, ameaçando as plataformas de investimento, os bancos, para distribuir os CDBs do Master de alta remuneração e altíssimo risco?
Você acha que o dono do Master convenceu Alexandre de Moraes a ir à casa dele em Brasília na marra? E conseguiu uma audiência com o Presidente da República porque ele ameaçou fazer greve de fome? 'Ou o senhor me recebe ou eu não saio daqui, depois o senhor vai ter que administrar a morte de um banqueiro na sua biografia.' E aí Lula recebeu.
E o BRB? Vorcaro ameaçou o governador Ibaneis Rocha? E os dirigentes da Rioprevidência, que colocaram um bilhão de reais? Fizeram isso para que Vorcaro poupasse a vida dos familiares deles?
Tudo isso para dizer que Daniel Vorcaro não adotava práticas da milícia, metendo o louco nas pessoas, nos fornecedores e no sistema financeiro. Ele propunha os negócios, vários deles para lá de obscuros, e as pessoas aceitavam porque queriam. E seguramente acontecia também o contrário: os negócios chegavam até ele e ele aceitava.
Ele tirou proveito enquanto conseguiu, lucrou muito com isso, e o sistema político se alimentou dele, lucrando também, naquela clássica troca de favores: 'seja generoso comigo que abro as portas da felicidade'. Durante um tempo pode dar certo. Alguns conseguem isso por muito tempo, mas às vezes a casa cai. Daniel Vorcaro está sentindo isso na pele, mais precisamente na pele da perna, onde prenderam uma tornozeleira eletrônica.
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