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Operação Shadowgun: polícia apreende armamentos feitos em impressora 3D

Ao todo, são cumpridos quatro mandados de prisão em São Paulo e 32 mandados de busca e apreensão em 11 estados brasileiros, em endereços ligados tanto a integrantes do grupo quanto a compradores dos materiais

Por Redação
REDAÇÃO

12/03/2026 • 12:14 • Atualizado em 12/03/2026 • 12:14

Resumo

Uma operação conjunta da Polícia Civil do Rio de Janeiro, do Ministério da Justiça e do Ministério Público do Rio de Janeiro desarticulou parte de um esquema interestadual de produção e venda de armamentos fabricados por impressão 3D, cumprindo quatro mandados de prisão em São Paulo e 32 de busca em 11 estados, com apoio internacional.

Uma investigação iniciada após alerta internacional ao Laboratório de Operações Cibernéticas identificou um grupo organizado que produzia e comercializava armas fantasmas e carregadores, utilizando materiais de fácil acesso e divulgando projetos pelas redes sociais.

Uma liderança exercida por um engenheiro especializado em controle e automação permitiu o desenvolvimento técnico das armas, disseminação de manuais e ideologia pró-armamento, com apoio de outros três integrantes em funções de suporte, divulgação e propaganda, além de financiamento por criptomoedas.

Uma operação conjunta da Polícia Civil do Rio de Janeiro, do Ministério da Justiça e Segurança Pública e do Ministério Público do Rio de Janeiro desarticulou uma parte de um esquema interestadual de produção e venda de armamentos fabricados por meio de impressão 3D nesta quinta-feira (12).

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Batizada de Operação Shadowgun, a ação tem como alvo um grupo suspeito de produzir e comercializar carregadores de armas de fogo e projetos de armamentos conhecidos como "armas fantasmas", que não possuem rastreabilidade.

Ao todo, são cumpridos quatro mandados de prisão em São Paulo e 32 mandados de busca e apreensão em 11 estados brasileiros, em endereços ligados tanto a integrantes do grupo quanto a compradores dos materiais. A operação também teve cooperação de organismos internacionais.

Início de tudo

As investigações começaram após um alerta enviado por um órgão internacional ao Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), que identificou um usuário de rede social suspeito de desenvolver e comercializar armamentos impressos em 3D.

A partir desse alerta, os investigadores descobriram uma estrutura organizada dedicada à produção e disseminação de armas sem registro, que podem ser montadas com materiais de fácil acesso.

Estrutura da organização criminosa

Segundo a polícia, o líder do grupo é um engenheiro especializado em controle e automação, responsável pelo desenvolvimento técnico do armamento. Utilizando pseudônimos na internet, ele publicava testes balísticos, atualizações de design e orientações sobre calibração, materiais e montagem das armas.

O suspeito também teria elaborado um manual com mais de 100 páginas detalhando todas as etapas para fabricar o armamento, permitindo que pessoas com conhecimentos intermediários em impressão 3D produzissem as peças em poucas semanas.

As apurações apontam que o principal produto disseminado pelo grupo era uma arma semiautomática fabricada com impressoras 3D e componentes não regulamentados. O projeto era divulgado junto a um manual técnico e a um manifesto ideológico que defendia o porte irrestrito de armas. As atividades do grupo eram financiadas, em parte, por meio de criptomoedas.

Além do líder, outros três integrantes foram identificados como peças-chave na estrutura criminosa. Cada um exercia uma função específica: um prestava suporte técnico aos usuários, outro atuava como divulgador e articulador do movimento, enquanto o terceiro era responsável pela propaganda e identidade visual do projeto.

As investigações também apontam que a organização produzia carregadores alongados de pistolas de diversos calibres em impressoras 3D instaladas na residência do líder. Os equipamentos eram vendidos em uma plataforma on-line.

As diligências contra esses criminosos seguem em andamento em diversos estados do país com apoio das polícias civis locais.