
Faixa de Gaza
Dawoud Abu Alkas/Reuters
Um vídeo (link acima) mostra o que aconteceu em Jerusalém, nesta quinta-feira. Os religiosos que são contra servir o exército sobem pela escada rolante da estação de trem, enquanto ao lado descem soldados que terminaram o serviço do dia.
Uns vestem roupas pretas, chapéus pretos e têm trancinhas, segurança, pensão e educação dos que pagam impostos e combatem pelo país, inclusive os vestidos com uniformes verde oliva. Eles são os Haredim, judeus ortodoxos, que vivem segundo a Halacha, ou lei judaica.
Em junho de 2023, expirou a lei que isentava os haredim de servir o exército, vigente desde a fundação de Israel, em 1948. Em 2024, a Suprema Corte decidiu que eles, então, teriam que se alistar para o serviço militar obrigatório, num país sempre em guerra, como todos os outros israelenses.
Poucos cumpriram a lei. Cerca de 7 mil haredim foram declarados desertores. E 870 deles, presos. O governo ficou paralisado, pois os partidos religiosos têm a força para o derrubar, tirando-lhe a maioria no Parlamento. A situação se agravou mais com a invasão do Hamas ao sul de Israel, em outubro de 2023, o início da guerra em Gaza. O exército precisou de 12 mil soldados para não sobrecarregar os reservistas. A questão deixou de ser apenas política.
Semana que vem, o Parlamento se reunirá para tentar uma decisão. Por isso, os haredim marcaram o “protesto de um milhão” para esta quinta-feira, que reuniu cerca de 200 mil religiosos em Jerusalém, e foi encerrada abruptamente, quando um dos seminaristas caiu ou se jogou do alto do maior prédio em construção, onde centenas de pessoas subiram para ver a manifestação. A polícia abriu uma investigação, por suspeita de que o jovem possa ter sido jogado. Seu corpo revelava marcas de violência.
Até o final precipitado da demonstração de força dos haredim, mirando futuro voto do Parlamento, houve poucos incidentes. O principal foi o show de união entre eles, conhecidos por antagonismo entre adeptos de várias seitas existentes. Há grupos que não conversam entre si. Mas estavam todos juntos, recitando salmos. Vez ou outra, denunciavam: “A Rússia é aqui” e “Stalin está aqui”. E também xingavam os seculares que os mandavam para o exército: “Parasitas”. Aconselhavam “seguir os mandamentos”.
Uma repórter com calça comprida, que ousou se infiltrar entre os religiosos, foi perseguida aos gritos de “shiksa”, iídiche para mulher não judia, ou, para eles, “pior”. A repórter foi salva por policiais, e voltou ao ar transmitindo o protesto do lado da polícia.
O contraste não foi só o da escada rolante, nesta Jerusalém de contrastes. No Muro das Lamentações, antes do protesto começar, a primeira brigada de reservistas ultraortodoxos foi formada com uma cerimônia que marcou o fim de seu treinamento militar.
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