
COP30 acontece em novembro, em Belém
Rodrigo Pinheiro/Ag.Pará
A proposta brasileira de criar o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que visa transformar a preservação das florestas do planeta em um investimento concreto, recebeu a adesão de 54 países durante a cúpula de líderes da COP30. A iniciativa busca garantir que as florestas tropicais valham mais "em pé do que destruídas", destacando sua essencialidade para a manutenção da vida no planeta, conforme o texto da declaração redigido pelo Brasil.
A declaração foi assinada por 54 nações, incluindo líderes europeus como França, Alemanha, Reino Unido e Noruega. Apesar da ampla adesão política, o entusiasmo financeiro ainda é limitado. Por enquanto, apenas quatro países confirmaram aportes financeiros no fundo: Noruega, França, Holanda e Portugal. O total somado dessas contribuições é de cerca de 5 bilhões de dólares, o que representa apenas a metade da meta inicial estabelecida para ser alcançada até o final de 2026.
A Noruega foi a nação que mais se adiantou, com uma contribuição de 2,9 bilhões de dólares. A França, por sua vez, prometeu 500 milhões de euros. Holanda e Portugal entrarão com valores menores, destinados aos custos operacionais da nova estrutura.
Além dos países europeus, Brasil e Indonésia também se comprometeram a contribuir com 1 bilhão de dólares cada um. A Alemanha, outra nação líder na adesão, deve anunciar seu investimento nos próximos dias. O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou animação com o resultado inicial e assegurou que o Presidente Lula se empenhará pessoalmente para convencer outros líderes globais a contribuírem.
Metas e beneficiários do fundo
O Fundo Florestas Tropicais para Sempre tem a meta ambiciosa de alcançar 10 bilhões de dólares em recursos em apenas um ano, com a visão de chegar a 25 bilhões de dólares em uma fase mais avançada. O plano combina o uso de recursos públicos e privados. O objetivo da iniciativa é beneficiar 73 países que abrigam florestas tropicais e subtropicais.
O acesso aos recursos do fundo está condicionado a uma regra central: apenas serão contemplados os países que mantiverem o desmatamento abaixo da média mundial.
Um quinto dos recursos arrecadados (20%) será especificamente destinado a povos indígenas e comunidades tradicionais.
A destinação desse percentual é um reconhecimento do papel fundamental dessas populações na proteção da biodiversidade.
O Banco Mundial será o responsável por operar os recursos financeiros do fundo.
A necessidade de um volume financeiro maior foi ressaltada pelo economista e colunista Paulo Rabelo de Castro, que apontou a importância de ampliar os aportes para que o fundo atinja seus objetivos de preservação em escala global.
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