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Papa faz apelo por "coragem" por paz na Ucrânia e alerta para crise em Gaza

Para América Latina, Leão 14 pregou por "diálogo pelo bem comum, em vez de preconceitos ideológicos e partidários." Ele destacou a crise humanitária em Gaza no primeiro Natal como pontífice.

Da redação
DA REDAÇÃO

25/12/2025 • 09:50 • Atualizado em 25/12/2025 • 10:30

Papa Leão XV

Papa Leão XV

REUTERS/Remo Casilli

Em sua primeira mensagem de Natal como líder da Igreja Católica, o Papa Leão 14 instou, nesta quinta-feira (25/12), que Rússia e Ucrânia encontrem "coragem" para um diálogo direto e respeitoso. Diante de milhares de fiéis na Praça de São Pedro, o pontífice americano consolidou seu estilo diplomático ao abordar os conflitos mais voláteis do planeta.

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Eleito em maio para suceder o Papa Francisco, Leão 14 vinha mantendo um perfil discreto, mas aproveitou a tradicional mensagem Urbi et Orbi ("à cidade e ao mundo") para enviar recados claros às potências globais.

A fala ocorre em um momento crítico: o governo russo analisa atualmente uma nova versão do plano de paz ucraniano, costurado por Volodimir Zelenski e pela Casa Branca. "Se todos nós parássemos de acusar os outros e reconhecêssemos nossas próprias falhas, o mundo mudaria", afirmou o Papa, definindo a paz não como uma concessão, mas como uma responsabilidade compartilhada.

De Belém às tendas de Gaza

O ponto mais sensível do discurso foi a comparação entre a narrativa bíblica do nascimento de Jesus e a situação atual no Oriente Médio. O Papa condenou as "feridas abertas" da guerra e chamou a atenção para a precariedade extrema em Gaza, onde um cessar-fogo em vigor desde outubro ainda não foi suficiente para estancar a crise humanitária.

"Como não pensar nas tendas em Gaza, expostas há semanas à chuva, ao vento e ao frio?", questionou o pontífice.

Leão 14 reafirmou a posição da Santa Sé de que a estabilidade na região depende da criação de um Estado palestino, solução que ele classificou como a única via para o fim de décadas de hostilidades entre Israel e o Hamas.

O fato de o novo Papa ter vivido duas décadas no Peru refletiu-se em seu apelo especial à América Latina. Ele pediu que líderes políticos abandonem "preconceitos ideológicos e partidários" em favor do diálogo comum.

Além das crises em evidência, o Papa listou o que diplomatas chamam de "guerras esquecidas", citando:

África: Conflitos no Sudão, Mali e República Democrática do Congo.

Ásia e Caribe: O caminho da reconciliação em Mianmar e no Haiti.

Crise Migratória: O drama dos refugiados no Mediterrâneo e nas fronteiras das Américas.

A "insensatez" da linha de frente

Em um raro momento de quebra de sua discrição habitual, Leão 14 dirigiu palavras duras contra a retórica de guerra que consome a juventude global. Criticou os "discursos pomposos" daqueles que enviam jovens para a morte, afirmando que os soldados na linha de frente sentem, na pele, a "insensatez" das ordens que recebem.

A mensagem de 2025 marca o início de um pontificado que, embora menos ruidoso que o de Francisco, demonstra uma determinação cirúrgica em pautar a ética sobre a geopolítica.

*Com informações do Estadão Conteúdo.