Band Jornalismo

Paquistão x Afeganistão: quem é mais forte? Entenda o conflito

Google Trends revela curiosidade de brasileiros sobre poderio nuclear e militar após escalada na fronteira e declaração de "guerra aberta"

Babi Fava
BABI FAVA

27/02/2026 • 17:10 • Atualizado em 27/02/2026 • 17:10

Paquistão x Afeganistão

Paquistão x Afeganistão

Reuters

O acirramento das tensões entre Paquistão e Afeganistão nas últimas horas transformou a região em um dos assuntos mais quentes do Google Trends. No Brasil, uma das perguntas que lidera o interesse dos internautas é: “Quem é mais forte, Paquistão ou Afeganistão?”.

Compartilhar

A curiosidade surge no momento em que Islamabad declara "guerra aberta" contra o governo do Talibã após ataques mútuos na fronteira, marcando a maior ruptura diplomática entre os vizinhos desde 2021.

Poder de fogo: o gigante nuclear contra a força de guerrilha

Se a comparação for baseada em números e tecnologia convencional, o Paquistão leva uma vantagem esmagadora. O país possui o sexto maior exército do mundo, com cerca de 660 mil militares ativos, contra apenas 172 mil das forças do Talibã.

Além disso, uma das maiores dúvidas mundiais no Google é confirmada pelos dados de defesa: o Paquistão é uma potência nuclear oficial, enquanto o Afeganistão não possui armas atômicas.

No ar, a disparidade é ainda maior. O Paquistão conta com uma frota moderna de mais de 450 aeronaves de combate, incluindo jatos F-16, enquanto o Afeganistão praticamente não possui força aérea real, operando apenas alguns helicópteros e aviões remanescentes da era soviética ou abandonados pelos EUA.

No entanto, o Talibã é mestre em táticas de guerrilha, tendo enfrentado e sobrevivido a décadas de combate contra potências como a URSS e os Estados Unidos.

O estopim: TTP e a "Guerra Aberta"

O conflito atual, batizado pelo Paquistão como Operação Ghazab Lil Haq ("Fúria Justa"), foi desencadeado pelo aumento de atentados terroristas em solo paquistanês. O governo de Islamabad acusa o Talibã de abrigar o grupo TTP (Tehreek-e-Taliban Pakistan), conhecido como o "Talibã paquistanês", que busca derrubar o Estado em Islamabad para impor uma lei islâmica rígida.

Embora o Talibã negue dar refúgio ao TTP, o Paquistão afirma ter "provas incontestáveis" de que os ataques cruzam a fronteira.

Essa tensão resultou em bombardeios paquistaneses contra alvos em Cabul e Kandahar, sedes do governo afegão e de seu líder supremo, Haibatullah Akhundzada — outro nome que figura entre os mais buscados no mundo.

A Linha Durand: uma ferida colonial aberta

Para entender por que esses países, ambos de maioria islâmica e com laços culturais profundos, estão em pé de guerra, é preciso olhar para a história. O centro da disputa é a Linha Durand, uma fronteira de 2.600 km traçada pelo Império Britânico em 1893. O Afeganistão nunca reconheceu essa linha como legítima, pois ela divide o povo Pashtun, o maior grupo étnico da região e a base de sustentação do próprio Talibã.

O interesse mundial pelo termo "Linha Durand" teve um pico significativo em outubro de 2025, refletindo como essa questão geográfica ainda é o motor da instabilidade na Ásia Central.

Riscos globais e o papel das potências

A crise não afeta apenas a região. O Paquistão está sob forte pressão econômica, sobrevivendo com auxílio do FMI, e o conflito ameaça projetos bilionários da China, como o Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC). Enquanto isso, a Rússia tenta mediar o diálogo, sendo um dos poucos países a manter canais oficiais com o Talibã.

No campo diplomático, o Paquistão observa com desconfiança a aproximação crescente entre o Afeganistão e a Índia, seu arqui-inimigo histórico, temendo um cerco estratégico em suas fronteiras.

O cenário atual sugere que, embora o Paquistão tenha a força bruta, a instabilidade política interna e a resiliência afegã na fronteira montanhosa tornam essa "guerra aberta" um risco de consequências imprevisíveis para toda a Eurásia.