
Para Israel, são 812 dias de guerra, e não 74 de cessar-fogo
REUTERS/Shir Torem
Israel continua contando os dias em guerra, 812 nesta sexta-feira, mesmo em cessar-fogo há 74 dias, desde outubro. Difícil ter um dia de paz, ou sem mortes, na Terra Santa. Hoje, uma mulher de 19 anos e um homem, de 68, foram assassinados por um terrorista palestino, um druso do exército israelense foi encontrado morto, um veículo com quatro soldados sofreu um atentado, enquanto a tensão em Gaza volta a crescer diante do novo encontro entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o presidente Donald Trump, nesta segunda-feira, em Mar-a-Lago, na Flórida.
Israel, hoje também, se tornou o primeiro país do mundo a reconhecer a Somalilândia como um país independente da Somália, sob protestos do Egito, Turquia e Djibuti. A “diplomacia”, aqui, encobre uma aproximação dos alvos dos Houthis, os rebeldes do Iêmen, a cerca de dois mil quilômetros de Israel, agora a apenas 400 quilômetros.
O ministro de extrema-direita da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, voltou a insistir, hoje, pela adoção da pena de morte para terroristas. Ele falou à imprensa no local do atentado em que morreram dois israelenses, no Norte de Israel -- uma mulher esfaqueada e um homem atropelado. Ele também pregou que todos devam andar armados, elogiando o civil que baleou o terrorista, levado ferido para um hospital, onde está convalescendo. Um repórter lembrou que, em geral, os terroristas partem para os atentados prontos a morrer, e que a pena de morte não os dissuadiria. Ben Gvir negou, dizendo que eles, na verdade, esperam ser presos.
O palestino que matou as duas pessoas, e feriu outras duas, Ahmad al-Roub, 37, estava ilegal em Israel. Ele veio de Qabatiya, uma aldeia de 25 mil habitantes na Cisjordânia, perto de Afula, imediatamente bloqueada pelas forças israelenses. O pai dele foi preso, e a casa em que moravam será derrubada. O ministro da Defesa, Israel Katz, declarou que quem tiver ajudado o terrorista “pagará um preço alto”. Os ataques começaram em Beit Shean e continuaram até Ein Harod, no norte de Israel, ao longo da rota 71.
Perto da fronteira com o Líbano, o soldado druso Haitham Wasin Saleh, 19, foi encontrado morto, baleado. Houve uma suspeita de que ele poderia ter se matado, mas a família dele insistiu: “Foi assassinado”. O corpo estava próximo à base em que servia, em Beit Jen. Outro incidente ocorreu ao sul da Cisjordânia, em Adorayim, onde um palestino jogou seu carro contra um veículo em que se encontravam quatro soldados. Foi preso e entregue ao serviço secreto Shin Bet.
Antes de partir para uma nova reunião com o presidente Donald Trump, na Flórida, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tornou Israel o primeiro país do mundo a reconhecer a República da Somalilândia como um país independente, cerca de 30 anos depois que ele se separou da Somália.
A Somalilândia teve apenas cinco dias de independência em 1960, quando foi reconhecida por Israel e outros 34 países, antes de se unir à Somália. A separação ocorreu em 1991. A Etiópia,
Turquia, Emirados Árabes Unidos, Dinamarca, Quênia e Taiwan mantiveram escritórios de ligação no país, que é muçulmano sunita, e só Israel o reconheceu agora, numa cerimônia remota entre o presidente Abdirahman Mohamed Abdullahi e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Em agosto, a Somalilândia foi sondada por Israel e Estados Unidos sobre se receberia palestinos que optassem por deixar Gaza. Mas o principal objetivo israelense é também estratégico, ter uma base aérea no território. Em relações com a Somalilândia, a força aérea israelense pode combater os Houthis iemenitas a partir de 400 quilômetros, e não mais de dois mil quilômetros, com os aviões sendo reabastecidos no ar.
O primeiro-ministro Netanyahu prometeu ao presidente Abdirahman que vai dizer ao presidente Trump que ele é candidato aos acordos de Abraão, que já estabeleceram relações normais entre alguns países muçulmanos e Israel. Este, porém, não está no centro da pauta do encontro marcado para segunda-feira em Mar-a-Lago. O que está questão é a segunda fase do acordo de paz – a primeira tendo terminado com a entrega de todos os reféns vivos que estavam com o Hamas. Agora, pelo plano de Trump, é o momento em que será formada a força internacional de paz que permitirá o desarmamento dos militantes palestinos e a retirada das forças israelenses de Gaza.
O problema: Israel só se retira quando o Hamas entregar as armas, e o Hamas só entrega as armas quando Israel se retirar de Gaza. Só o presidente Trump pode transformar este círculo vicioso em virtuoso. O problema para Netanyahu é que os Estados Unidos deram uma guinada em favor de uma futura solução de dois estados para a Cisjordânia, Gaza e Israel, e têm se posicionado contra a criação de novas colônias na Judeia e Samaria, os nomes bíblicos pelos quais os israelenses chamam a Cisjordânia, reivindicando as terras bíblicas que lhes foram dadas por Deus.
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