
Benjamin Netanyahu
REUTERS/Ronen Zvulun
Na edição de segunda-feira do Tehran Times, a manchete antecipava: o primeiro-ministro Netanyahu está indo ver o presidente Trump para “envenenar” as negociações abertas em Mascate, no Sultanato de Omã, na semana passada, entre iranianos e americanos.
Netanyahu partiu hoje em seu Asas de Sion, o avião do governo, para sua sétima visita à Casa Branca este ano. Antes de decolar, um dos jornalistas que o acompanhariam, já a bordo, foi retirado pelo Shin Bet, que alegou que não o tinha investigado completamente.
O temor do serviço secreto é de que um dos passageiros do Asas de Sion simule passar mal no voo, ou passe mal de verdade, obrigando a uma aterrissagem em algum país do trajeto que se sinta obrigado a prender Netanyahu, cumprindo mandado do Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia, na Holanda.
Os EUA não reconhecem o TPI. Netanyahu deverá ter uma reunião a portas fechadas com Donald Trump. Vai “apresentar ao presidente a nossa abordagem sobre os princípios das negociações” –o “veneno”, segundo o Tehran Times. É sabido que Israel quer um limite para o alcance dos mísseis balísticos iranianos, que mataram 32 pessoas na Guerra de Doze Dias, em junho. Também pretende que o Irã não ajude mais suas milícias no Líbano, em Gaza e no Iêmen, “o Eixo do Mal”. E para o projeto nuclear, atacado, mas não destruído, com um estoque de 440 quilos de urânio refinado a 60%, empata com Trump, que fala em “tolerância zero”.
O Irã conseguiu transferir as negociações de Istambul para Mascate, ganhou tempo para diminuir a urgência da armada dos EUA ao seu redor, tirou os mísseis da agenda já no primeiro encontro e defendeu seu direito de refinar urânio para projetos civis. Aí o incentivo de Netanyahu para restabelecer os princípios da negociação, que Trump até elogiou e aceitou um segundo encontro.
Uma fonte do governo resumiu para o jornal Times of Israel: “O primeiro-ministro Netanyahu acredita que qualquer acordo não deve apenas impedir o Irã de tentar se rearmar com armas nucleares e eliminar qualquer possibilidade de enriquecimento de urânio, mas também restringir mísseis balísticos e garantir a cessação do apoio e financiamento ao terrorismo pelo Eixo do Mal.
A conversa entre Netanyahu e Trump deverá se alongar para conter as últimas decisões adotadas pelo Gabinete de Segurança israelense, no domingo. O governo aprovou, a portas fechadas, algumas medidas que permitem que israelenses possam comprar terras em qualquer área da Cisjordânia, tida como a futura Palestina, com a capital em Al Quds, A Santa, o nome árabe de Jerusalém. Ao mesmo tempo, a violência de colonos judeus contra palestinos está levando muitos a desistir de continuar na região, abrindo espaço para novas colonizações, consideradas ilegais pelos Estados Unidos desde a Guerra dos Seis dias, em 1967.
Hoje há cerca de 750 mil colonos vivendo na Cisjordânia em 150 colônias oficiais, e mais 200 outros “postos avançados” não autorizados pelo governo, mas que são as sementes da futura colonização. A maioria dos colonos pertence a partidos religiosos ortodoxos para os quais as terras da Cisjordânia, chamadas pelos bíblicos nomes de Judeia e Samaria, teriam lhes sido prometidas por Deus.
Ainda há Gaza para a agenda Netanyahu-Trump. O Hamas não se desarma nem é desarmado, e Israel não retira suas tropas para a fronteira; a força multinacional não está formada para assumir a administração do território; e o Conselho da Paz ainda não entrou em funcionamento. O cessar-fogo já incluiu mais de 530 mortos.
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