
Xi Jinping, presidente da China
Agência Brasil
Resumo
A escalada de conflitos no Oriente Médio intensifica o envolvimento militar dos Estados Unidos, criando uma oportunidade estratégica para a China, que se beneficia ao optar pela inércia enquanto observa o impacto financeiro negativo das guerras prolongadas sobre o tesouro americano.
A análise do especialista Emanuel Pessoa destaca o alto custo dos investimentos militares dos EUA, com gastos diários que podem chegar a 900 milhões de dólares, contrastando com investimentos chineses em ciência, tecnologia e inovação, além de alertar para o enfraquecimento produtivo americano causado por conflitos passados.
A avaliação de Pessoa aponta três opções para a China: guerra direta, bloqueio econômico de terras raras e gestão do prejuízo econômico em troca de ganhos diplomáticos, sendo esta última vista como a mais vantajosa por fortalecer o soft power chinês e desgastar financeiramente os rivais, sem comprometer a própria estabilidade.
A escalada de tensões no Oriente Médio e o envolvimento militar dos Estados Unidos na região criam um cenário de oportunidade estratégica para a China.
Para o colunista da Rádio Bandeirantes e doutor em Direito Econômico pela USP, Emanuel Pessoa, o país asiático é o maior beneficiado ao optar pela inércia militar, enquanto observa o "dreno" financeiro no tesouro americano provocado por guerras infindáveis.
A análise de Pessoa destaca o alto custo de manutenção das alianças dos EUA. Ao abrir diversas frentes de batalha para proteger parceiros no Golfo, Washington pulveriza suas tropas e estoques de armas.
O custo-benefício dessa operação é desproporcional: enquanto um drone iraniano custa cerca de 30 mil dólares, os mísseis interceptadores americanos custam milhões de dólares cada.
O dreno financeiro e o avanço tecnológico chinês
Segundo o especialista, o gasto militar dos EUA pode chegar a 900 milhões de dólares por dia em períodos de conflito intenso.
Para Pessoa, cada dólar investido em munição no Oriente Médio representa um dólar a menos que os americanos aplicam em ciência, tecnologia e inovação, áreas onde a China foca seus investimentos.
"A China dá risada disso por uma razão muito simples: cada vez que os americanos fazem isso, é dinheiro que eles não gastam em forças no Pacífico para conter militarmente o eventual avanço chinês", avalia o colunista.
O histórico de gastos trilionários em conflitos passados, como o do Iraque, serve de alerta para o enfraquecimento da capacidade de investimento produtivo dos Estados Unidos a longo prazo.
As três opções de Pequim e o poder do 'Soft Power'
Emanuel Pessoa elenca três caminhos possíveis para a China diante da crise atual, descartando os dois primeiros por serem autodestrutivos.
O primeiro seria a guerra direta, que resultaria em destruição nuclear mútua. O segundo seria uma "opção nuclear econômica", como o bloqueio da exportação de terras raras, o que paralisaria a indústria de defesa americana, mas arrastaria a economia chinesa para uma depressão mundial devido à dependência de exportações.
A terceira via, e a provável segundo o especialista, é a gestão do prejuízo econômico em troca de ganhos diplomáticos.
Embora a China corra o risco de perder investimentos no Irã e o acesso ao petróleo com desconto, Pequim importa 15% de seu consumo do país persa com abatimento de 10 dólares por barril, o ganho de imagem internacional é visto como superior.
"O chinês fica com a pecha de que defende o direito internacional, enquanto os americanos ficam com a percepção de que não ligam para a ordem global", afirma Pessoa.
Na visão do colunista, o fortalecimento do soft power chinês e o desgaste financeiro dos rivais confirmam que, na atual conjuntura, "jogar parado" é a maior vitória para Pequim.
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