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Parlamento Europeu paralisa acordo UE-Mercosul e envia caso à Justiça

Deputados votam a favor de pedido para que Tribunal de Justiça da União Europeia avalie bases legais do acordo de livre comércio com o Mercosul, o que deve atrasar ratificação

Deutsche Welle
DEUTSCHE WELLE

21/01/2026 • 09:37 • Atualizado em 21/01/2026 • 10:00

Mercosul e União Europeia

Mercosul e União Europeia

União Europeia/Mercosul/Agência Brasil

O Parlamento Europeu acatou nesta quarta-feira (21) o pedido de um grupo de eurodeputados para que o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) avalie as bases jurídicas do acordo de livre comércio entre o bloco e o Mercosul.

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A determinação de uma revisão pelo tribunal superior europeu deve atrasar em meses a ratificação do tratado, assinado no último sábado (17), no Paraguai, após mais de duas décadas de negociações. Em geral, o tribunal leva de 18 a 24 meses para emitir esse tipo de parecer.

Teoricamente, o acordo poderia entrar em vigor provisoriamente mais cedo, caso a Comissão Europeia tome uma decisão nesse sentido. O Comissário Europeu para o Comércio, Maroš Šefčovič, esclareceu antes da votação que ainda não havia sido tomada nenhuma decisão sobre a aplicação provisória e que o foco era obter o apoio do Parlamento Europeu.

A proposta foi aprovada por 334 eurodeputados e rejeitada por 324, com 11 abstenções. A votação foi concluída com gritos de comemoração e aplausos no plenário.

No dia anterior, milhares de agricultores europeus protestaram contra o acordo comercial em frente à sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na França.

O que o tribunal vai analisar?

Um grupo de mais de 140 deputados, principalmente por parlamentares da esquerda e dos verdes, apresentou uma ação pedindo que o TJUE avalie se o acordo é compatível com as leis e tratados vigentes antes de ser ratificado em plenário pelo Parlamento Europeu e pelos Estados-membros.

Os proponentes criticam a divisão do acordo em duas partes: ele consiste, por um lado, em um acordo de parceria que, como componente político abrangente, também precisa ser ratificado pelos Estados-membros da UE e, por outro lado, em um componente comercial que requer apenas a aprovação do Parlamento Europeu. Assim passa-se ao largo dos parlamentos nacionais, argumentam.

Além disso, os críticos veem um problema num mecanismo pelo qual os países do Mercosul podem exigir medidas compensatórias e indenizações.

A ação questiona ainda se cláusulas do tratado limitam a capacidade da UE de definir políticas ambientais, bem-estar animal e proteção ao consumidor.

A análise pela corte deve atrasar até mesmo a efetivação do instrumento provisório do acordo, chamado ITA, na sigla em inglês, além de colocar em dúvida os termos do Acordo de Parceria UE-Mercosul (EMPA), que engloba a cooperação política e setorial, além de comércio e investimentos.

Se o parecer do tribunal for negativo, o acordo de livre comércio não poderá entrar em vigor, a menos que seja alterado.

A grande resistência ao acordo vem do setor agrícola, liderado pela França, maior produtora agrícola do bloco.

Moção de censura

Na quinta-feira (22/01), os eurodeputados votam ainda uma nova moção de censura à Comissão Europeia contra o acordo comercial.

Para ser aprovada, a moção deve obter uma maioria de dois terços dos votos expressos, representando a maioria dos membros que compõem o Parlamento.