
Homem saindo de Gaza em busca de tratamentos médicos
REUTERS/Ramadan Abed
A reabertura da passagem de Rafah, na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito, traz esperança… mas também dor, medo e revolta para milhares de palestinos que tentam sobreviver depois de mais de dois anos de massacre.
Ambulâncias formam fila diante do posto de controle. Pela primeira vez desde maio de 2024, pacientes palestinos começaram a deixar Gaza em busca de tratamento médico fora do território. Mas a travessia ainda é limitada e cheia de incertezas. Apenas algumas dezenas de pessoas conseguem cruzar por dia, sempre a pé, e depois de passar por autorizações rígidas de Israel e do Egito.
Rostos da espera: O drama de Lobna Abu
Para muitos, atravessar a fronteira representa a chance de voltar a viver. O nome dela é Lobna Abu, de 48 anos, que sonha conseguir um transplante de rim. Ela aguarda uma vaga enquanto o tempo avança e os recursos médicos em Gaza praticamente desapareceram: hospitais sem equipamentos, sem medicamentos e sem estrutura para atender, inclusive, crianças gravemente doentes.
Enquanto alguns tentam sair para sobreviver, outros querem voltar. Cerca de 100 mil palestinos deixaram o território nas primeiras semanas do massacre. Muitos agora tentam regressar, mesmo sabendo que podem encontrar apenas escombros onde antes existiam casas e histórias de vida.
O luto que não cessa
Mesmo com a reabertura parcial da fronteira, a guerra continua deixando marcas. Nos últimos dias, ataques aéreos mataram dezenas de pessoas. Entre as vítimas, o neto de dois anos e meio de Eyad. A criança estava no colo da avó, durante o café da manhã, quando uma bomba atingiu a região.
O sofrimento das famílias palestinas ultrapassa fronteiras e mobiliza vozes pelo mundo. Apesar dos anúncios diplomáticos e promessas de paz, Rafah continua sendo, para muitos palestinos, uma porta estreita entre a esperança e a sobrevivência. E para milhares deles, o futuro ainda depende de uma autorização para atravessar a fronteira e continuar vivos.
Afinal, o massacre israelense, que já matou mais de 70 mil palestinos, continua — não só pelos bombardeios, mas pelo impedimento de ações humanitárias.
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