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Petrobras reafirma interesse na recompra da Refinaria de Mataripe

Em resposta à CVM, estatal confirma análise de negócio após declarações de Lula sobre a unidade privatizada em 2021; capacidade de refino é de 14% do país

Da redação
DA REDAÇÃO

25/03/2026 • 15:13 • Atualizado em 25/03/2026 • 15:18

A Petrobras reafirma oficialmente o interesse em recomprar a Refinaria de Mataripe, localizada na Bahia, unidade que foi privatizada em 2021 durante a gestão de Jair Bolsonaro. A confirmação ocorre por meio de um ofício enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na última terça-feira (24), após a autarquia questionar a estatal sobre declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Na última sexta-feira (20), durante evento na Refinaria Gabriel Passos, em Betim (MG), o presidente Lula anunciou a intenção de reaver a unidade baiana, anteriormente denominada Refinaria Landulpho Alves. "Pode demorar um pouco, mas nós vamos comprar", declara o presidente, que estava acompanhado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

Esclarecimentos ao mercado financeiro

A manifestação da Petrobras atende a um pedido de esclarecimento da CVM, procedimento padrão para empresas listadas na Bolsa de Valores quando surgem informações que podem impactar o mercado de capitais. No documento, a companhia informa que "analisa continuamente oportunidades de investimentos e negócios, inclusive eventual compra da Refinaria de Mataripe S.A.".

A estatal ressalta que esse movimento não é inédito, tendo sido mencionado em comunicados oficiais de dezembro de 2023 e março de 2024. Apesar da reafirmação do interesse, a Petrobras pontua que, no momento, não existem fatos adicionais ou informações relevantes que precisem ser divulgadas aos acionistas.

Histórico e relevância da unidade

A Refinaria Landulpho Alves é a instalação de refino mais antiga do Brasil, com operações iniciadas em 1950. Localizada em São Francisco do Conde, na região metropolitana de Salvador, ela representa a segunda maior refinaria do país. Em 2021, a unidade foi adquirida pela Mubadala Capital, fundo de investimento de Abu Dhabi, que criou a empresa Acelen para gerir a operação.

Atualmente, Mataripe possui uma capacidade de refino de 300 mil barris de petróleo por dia, o que corresponde a 14% da capacidade total do território brasileiro. A produção da planta abrange itens essenciais como óleo diesel, gasolina, querosene de aviação (QAV), gás de cozinha (GLP), asfalto e lubrificantes.

Contexto estratégico e preços

O movimento do governo federal para retomar o controle da refinaria ocorre em um período de instabilidade no mercado internacional de petróleo, agravado por conflitos no Irã que afetam a produção e o transporte da commodity. O controle sobre unidades de refino é visto pela gestão atual como um mecanismo para mitigar oscilações nos preços dos combustíveis, especialmente o diesel.

Além da refinaria, o governo manifesta críticas a outras privatizações do setor, como a da BR Distribuidora (atual Vibra Energia). Por contrato, os postos de combustíveis podem utilizar a bandeira BR até junho de 2029, mas a Petrobras está impedida de concorrer diretamente no setor de varejo de combustíveis devido a uma cláusula de non-compete assinada durante a venda da subsidiária.

Com informações da Agência Brasil