
Trump antes de sorteio da Copa de 2026
Brian Snyder/Reuters
Petroleiros não sancionados pelos EUA estão zarpando para a Ásia com escolta naval da Venezuela, desde a noite de terça-feira. Entre cerca de 400 navios que carregam petróleo venezuelano, apenas 18 estão na lista do bloqueio anunciado pelo presidente Donald Trump.
O número de petroleiros que levantaram âncora do Porto de José, na costa leste venezuelana, não foi informado. O risco de um confronto com a armada americana cercando a Venezuela cresceu com a escolta naval decidida pelo presidente Nicolás Maduro, que chamou o presidente Trump de “delirante”.
A companhia petrolífera venezuelana, PDVSA, comunicou que os petroleiros com os quais opera estão navegando “com total segurança, apoio técnico e operações garantidas no exercício legítimo do seu direito à livre navegação”. Trump a acusou de “roubar” o petróleo dos EUA.
A grande expectativa criada pelo discurso à Nação feito por Trump na noite de ontem esvaziou-se ao final dos 18 minutos que durou: nenhuma menção à Venezuela, apesar de alguma referência à guerra às drogas e aos oito acordos de paz que ele declarou ter concluído no mundo no primeiro ano de seu mandato. A Ucrânia e Gaza também passaram ausentes, soterrados por elogios a si próprio, condenação à Joe Biden e sua herança maldita, e exageros sobre resultados econômicos.
A navegação no Caribe está indefinida, sem bússola, porque no anúncio do bloqueio, na terça-feira, Trump falou em “todos os petroleiros”, a distinção aos 18 sancionados surgindo depois. Para agravar a indefinição, algumas fontes oficiais americanas vazaram para a imprensa que novos navios com carga venezuelana seriam apreendidos. A chefe de gabinete de Trump, Susie Wiles, sugeriu que o objetivo da Casa Branca é o de derrubar Nicolás Maduro, e não a guerra ao narcotráfico e contra cartéis.
Com um boné com a inscrição “No War, Yes Peace”, Nicolás Maduro fez uma aparição pública ontem, evocando John Lennon e seu apelo a que se dê uma chance para a paz. Ele disse à multidão: “Vocês sabem que eu gosto de rock”. Se o confisco abranger a todos os petroleiros, sua situação pode ficar insustentável, com a economia dependente 90% da exportação do petróleo e ureia (para fertilizantes). A Rússia alertou que os EUA estão correndo o risco de cometer “um erro fatal”, e reforçou seu apoio político à Caracas.
Em Oslo, a líder opositora venezuelana, Maria Corina Machado, declarou que a transição política na Venezuela é “irreversível” e que há esforços para se desenrole pacificamente. No jornal Granma, de Cuba, uma charge mostra Tio Sam avistando apenas barris de petróleo com binóculos. O governo cubano condenou o bloqueio naval como “pirataria e outros caprichos de Trump”.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber


