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Petroleiros saem com escolta da Venezuela

Entre cerca de 400 navios que carregam petróleo venezuelano, apenas 18 estão na lista do bloqueio anunciado pelo presidente Donald Trump

Por Redação
REDAÇÃO

18/12/2025 • 12:31 • Atualizado em 18/12/2025 • 12:31

Moises Rabinovici
Trump antes de sorteio da Copa de 2026

Trump antes de sorteio da Copa de 2026

Brian Snyder/Reuters

Petroleiros não sancionados pelos EUA estão zarpando para a Ásia com escolta naval da Venezuela, desde a noite de terça-feira. Entre cerca de 400 navios que carregam petróleo venezuelano, apenas 18 estão na lista do bloqueio anunciado pelo presidente Donald Trump.

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O número de petroleiros que levantaram âncora do Porto de José, na costa leste venezuelana, não foi informado. O risco de um confronto com a armada americana cercando a Venezuela cresceu com a escolta naval decidida pelo presidente Nicolás Maduro, que chamou o presidente Trump de “delirante”.

A companhia petrolífera venezuelana, PDVSA, comunicou que os petroleiros com os quais opera estão navegando “com total segurança, apoio técnico e operações garantidas no exercício legítimo do seu direito à livre navegação”. Trump a acusou de “roubar” o petróleo dos EUA.

A grande expectativa criada pelo discurso à Nação feito por Trump na noite de ontem esvaziou-se ao final dos 18 minutos que durou: nenhuma menção à Venezuela, apesar de alguma referência à guerra às drogas e aos oito acordos de paz que ele declarou ter concluído no mundo no primeiro ano de seu mandato. A Ucrânia e Gaza também passaram ausentes, soterrados por elogios a si próprio, condenação à Joe Biden e sua herança maldita, e exageros sobre resultados econômicos.

A navegação no Caribe está indefinida, sem bússola, porque no anúncio do bloqueio, na terça-feira, Trump falou em “todos os petroleiros”, a distinção aos 18 sancionados surgindo depois. Para agravar a indefinição, algumas fontes oficiais americanas vazaram para a imprensa que novos navios com carga venezuelana seriam apreendidos. A chefe de gabinete de Trump, Susie Wiles, sugeriu que o objetivo da Casa Branca é o de derrubar Nicolás Maduro, e não a guerra ao narcotráfico e contra cartéis.

Com um boné com a inscrição “No War, Yes Peace”, Nicolás Maduro fez uma aparição pública ontem, evocando John Lennon e seu apelo a que se dê uma chance para a paz. Ele disse à multidão: “Vocês sabem que eu gosto de rock”. Se o confisco abranger a todos os petroleiros, sua situação pode ficar insustentável, com a economia dependente 90% da exportação do petróleo e ureia (para fertilizantes). A Rússia alertou que os EUA estão correndo o risco de cometer “um erro fatal”, e reforçou seu apoio político à Caracas.

Em Oslo, a líder opositora venezuelana, Maria Corina Machado, declarou que a transição política na Venezuela é “irreversível” e que há esforços para se desenrole pacificamente. No jornal Granma, de Cuba, uma charge mostra Tio Sam avistando apenas barris de petróleo com binóculos. O governo cubano condenou o bloqueio naval como “pirataria e outros caprichos de Trump”.

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