
Polícia Federal em Brasília
Arquivo/Agência Brasil
A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (20), a Operação Alerta Vermelho para desarticular uma rede de tráfico internacional de mulheres voltada à exploração sexual no norte de Santa Catarina. A ofensiva cumpriu mandados de busca e apreensão em três endereços na cidade de São Francisco do Sul, localizada a cerca de 200 quilômetros de Florianópolis, atingindo dois estabelecimentos noturnos e a residência dos principais investigados.
As investigações tiveram início após o relato de uma mulher paraguaia que conseguiu fugir do esquema em outubro do ano passado. Segundo o depoimento da vítima, ela foi aliciada pela internet em seu país de origem sob a falsa promessa de trabalhar como garçonete em um bar no litoral catarinense. No entanto, ao chegar ao Brasil transportada em um caminhão, foi levada a uma boate onde teve seus documentos retidos e passou a ser mantida sob vigilância constante.
Exploração e violência no litoral
O relato detalha um cenário de graves violações de direitos humanos. A vítima afirmou ter sofrido agressões físicas e psicológicas, restrição de liberdade e coação para o uso de entorpecentes e a prática da prostituição. Durante o período em que foi mantida em cárcere pelos exploradores, a mulher não recebeu qualquer tipo de remuneração financeira.
Os suspeitos de gerenciar o esquema são um homem e uma mulher, ambos com antecedentes criminais por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. Além das buscas realizadas nesta sexta-feira, a Justiça determinou medidas cautelares rigorosas, proibindo qualquer contato dos investigados com a vítima ou com as testemunhas do caso.
Durante a operação, os agentes da Polícia Federal apreenderam aparelhos celulares, documentos e o sistema de videomonitoramento (CFTV) dos locais vistoriados. Todo o material será submetido à perícia técnica para que a corporação possa detalhar a extensão da rede criminosa e identificar a "cadeia operacional do esquema", além de verificar a existência de outras possíveis vítimas aliciadas pelo grupo.
A Polícia Federal ressalta que o inquérito segue em andamento e as próximas etapas da investigação dependem da análise dos dados extraídos dos dispositivos apreendidos. A prioridade atual das autoridades é mapear se o grupo possui ramificações em outros estados ou conexões internacionais mais amplas para o aliciamento de mulheres na América do Sul.
Com informações do Estadão Conteúdo
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