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Polícia Federal descobre tráfico sexual em Santa Catarina

Investigação em São Francisco do Sul revela esquema de exploração sexual, cárcere privado e agressões contra estrangeira aliciada com falsa promessa de emprego

Da redação
DA REDAÇÃO

20/03/2026 • 16:52 • Atualizado em 20/03/2026 • 17:03

Polícia Federal em Brasília

Polícia Federal em Brasília

Arquivo/Agência Brasil

A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (20), a Operação Alerta Vermelho para desarticular uma rede de tráfico internacional de mulheres voltada à exploração sexual no norte de Santa Catarina. A ofensiva cumpriu mandados de busca e apreensão em três endereços na cidade de São Francisco do Sul, localizada a cerca de 200 quilômetros de Florianópolis, atingindo dois estabelecimentos noturnos e a residência dos principais investigados.

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As investigações tiveram início após o relato de uma mulher paraguaia que conseguiu fugir do esquema em outubro do ano passado. Segundo o depoimento da vítima, ela foi aliciada pela internet em seu país de origem sob a falsa promessa de trabalhar como garçonete em um bar no litoral catarinense. No entanto, ao chegar ao Brasil transportada em um caminhão, foi levada a uma boate onde teve seus documentos retidos e passou a ser mantida sob vigilância constante.

Exploração e violência no litoral

O relato detalha um cenário de graves violações de direitos humanos. A vítima afirmou ter sofrido agressões físicas e psicológicas, restrição de liberdade e coação para o uso de entorpecentes e a prática da prostituição. Durante o período em que foi mantida em cárcere pelos exploradores, a mulher não recebeu qualquer tipo de remuneração financeira.

Os suspeitos de gerenciar o esquema são um homem e uma mulher, ambos com antecedentes criminais por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. Além das buscas realizadas nesta sexta-feira, a Justiça determinou medidas cautelares rigorosas, proibindo qualquer contato dos investigados com a vítima ou com as testemunhas do caso.

Durante a operação, os agentes da Polícia Federal apreenderam aparelhos celulares, documentos e o sistema de videomonitoramento (CFTV) dos locais vistoriados. Todo o material será submetido à perícia técnica para que a corporação possa detalhar a extensão da rede criminosa e identificar a "cadeia operacional do esquema", além de verificar a existência de outras possíveis vítimas aliciadas pelo grupo.

A Polícia Federal ressalta que o inquérito segue em andamento e as próximas etapas da investigação dependem da análise dos dados extraídos dos dispositivos apreendidos. A prioridade atual das autoridades é mapear se o grupo possui ramificações em outros estados ou conexões internacionais mais amplas para o aliciamento de mulheres na América do Sul.

Com informações do Estadão Conteúdo