Band Jornalismo

Políticos fingem esquecer do problema da previdência

Eduardo Oinegue comenta sobre a dificuldade do governo de gerir as contas da previdência

Por Redação
REDAÇÃO

22/10/2025 • 23:10 • Atualizado em 22/10/2025 • 23:10

Eduardo Oinegue

Pega todas as fábricas de alimentos e de bebidas no Brasil. Calcula o que elas produzem, o que elas vendem. Aí agora você soma a esse valor toda a produção da indústria farmacêutica, da indústria química, das metalúrgicas, da indústria de máquinas e equipamentos, indústria automobilística, incluindo carro, caminhão, moto.

Compartilhar

Aí coloca trator, coloca todos os implementos agrícolas, aquelas máquinas gigantes. Somos produtos eletrônicos, computadores, equipamentos elétricos. Põe indústria têxtil, mas inteira. Põe calçado, põe indústria moveleira, põe papel e celulose que é gigante. Eu devo ter esquecido de um monte de indústrias que compõem a chamada indústria de transformação.

Agora pega tudo que todas essas empresas fabricam juntas, soma e pensa que o equivalente a essa monstruosidade de dinheiro todinha o governo gasta pra bancar o sistema de previdência todo o ano. Para o pagamento de aposentadorias e pensões. O governo, vírgula, né? Porque esse dinheiro é seu, é você que paga isso tudo. Você paga todas as despesas do governo. O governo só administra.

Pega o dinheiro da sociedade, entrega pra as pessoas que têm o direito de receber, fazer parte de um programa social, de uma obra. Mas você pega a aposentadoria é a esse dinheiro todo. Em 2000, o sistema de previdência custava pouco mais de 5% do PIB. Hoje custa quase o dobro que é isso tudo que eu descrevi. O Brasil tem vários encontros marcados com problemas graves que a gente tem que resolver e prefere fugir.

Um deles é a previdência, que fica com 1 trilhão de reais por ano. Aí toda vez que mexe nesse assunto, o governo mexe com timidez, com medo, porque falar de previdência, como um desafio, tira voto. E governante, nesse nosso Brasilzão bacana, generoso, gosta de tratar dos problemas que dão voto, como se tudo tivesse uma solução maravilhosa e generosa. O que tira voto, ele quer deixar pro sucessor resolver. E se o sucessor for ele mesmo, ele enrola mais quatro anos.

A gente mexeu na previdência seis vezes nos últimos 17, 18 anos. Mexeu em 1998, governo Fernando Henrique. Em 2003, 2005, primeiro governo Lula. Em 2012, 2015, no inesquecível governo Dilma. E em 2019, no governo Bolsonaro. Você soma todas essas mudanças que foram necessárias e o problema segue grande. Porque ao mesmo tempo em que o governo mexe só um pouquinho aqui e ali para dar uma certa racionalidade, bem-vinda ao sistema, o populismo acaba falando alto e estoura todas as conquistas.

A última do populismo, aumento real para as aposentadorias, replicando o que acontece com o salário mínimo. Bomba relógio contratada de destruição, sobre a qual ninguém fala no executivo, não fala no legislativo e não fala no judiciário que se mete em tudo, mas sobre isso fica caladinho, caladinho. Os aposentados e pensionistas não têm culpa disso. Eles fizeram o que a lei manda. Trabalharam como a lei manda, se aposentaram quando a lei permitia.

O problema é que esse sistema, do jeito que tá montado, não vai continuar em pé. Vai explodir. Os estudiosos sabem disso, avisam a todo instante. Os políticos se fazem de surdos pra não perder voto. A eleição nesse país vale mais do que o saneamento das contas públicas, do qual depende o bem-estar da sociedade.

Fique bem informado!

Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail

Escolha quais newsletters quer receber

Tópicos relacionados