
Chuck Schumer, líder dos Democratas no Senado
REUTERS/Annabelle Gordon
O Senado dos Estados Unidos votou um projeto para financiar o governo norte-americana e assim acabar com o chamado “shutdown”, a paralisação de órgãos federais. Para isso, oito senadores romperam com o partido Democrata e votaram com os Republicanos. Isso gerou uma enorme crise dentro da oposição, sendo que a principal demanda dos Democratas, a extensão de subsídios para a saúde, não foi cumprida.
No texto aprovado, há apenas uma menção para uma promessa de que a maioria Republicana no Senado permitirá um voto em dezembro para que sejam estendidos os subsídios de saúde para norte-americanos que dependem do Affordable Care Act (ACA), conhecido popularmente como Obamacare, que disponibiliza medicamentos para população de baixa-renda e dá algumas garantias para cidadãos em seus planos de saúde – os EUA não têm um sistema de saúde pública.
Os subsídios que tornam os planos de saúde mais acessíveis para milhões de norte-americanos expiram no fim deste ano e os Republicanos, que controlam a Câmara e o Senado, se recusavam a aprovar quaisquer propostas orçamentárias que incluíssem um prolongamento destes benefícios par aos próximos meses.
Entretanto, enquanto na Câmara eles precisavam apenas de uma maioria simples para passar a legislação, no Senado eles precisavam de apoio dos Democratas, uma vez que lá são necessários 60 votos e os Republicanos possuem 53 senadores. Com isso, o Democratas bloquearam qualquer projeto para que esse pedido fosse acatado e o governo foi paralisado.
Ao mesmo tempo que gerou pressão nos Republicanos, o “shutdown” teve consequências práticas na economia americana, como a disrupção do tráfego aéreo do país, uma vez que controladores de voo não receberam salários neste período. Além disso, o programa Programa de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP), que ajuda famílias de baixa renda a comprarem comida, estava sendo interrompido.
Neste cenário, sete senadores Democratas e o independente Angus King decidiram aceitar um acordo que, entre outras questões, reabre as agências federais do país, financia o governo até o fim de janeiro e garante pagamentos retroativos para funcionários que foram prejudicados durante este período. Ainda segundo o texto, funcionários que foram demitidos serão recontratados.
Apesar de constar a promessa da votação para a extensão dos benefícios do Obamacare, não há qualquer comprometimento em relação a seu resultado no Senado e muito menos a perspectiva de que a Câmara dos Representantes se mostraria aberta a ele.
Tendo isto em vista, a decisão dos Democratas gerou críticas duras tanto nas redes sociais quanto dentro do próprio partido. Bernie Sanders, um dos senadores progressistas, classificou a decisão como um “voto muito ruim”. O governador da Califórnia, Gavin Newson, foi mais duro e a chamou de “patética”.
Os oito senadores que votaram pela medida se justificaram usando as dificuldades enfrentadas pelos norte-americanos durante o “shutdown”, que já é o mais longo da história dos EUA, mas isso não foi suficiente.
Tanto que o líder do partido no Senado, Chuck Schumer, já enfrenta uma campanha para que deixe o cargo por não ter mantido seus membros unidos.
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