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Por que o Irã não se chama mais Pérsia? Entenda a mudança

Decisão foi tomada pelo Reza Xá Pahlavi como parte de um projeto nacionalista e de modernização do país

Da redação
DA REDAÇÃO

03/03/2026 • 12:27 • Atualizado em 03/03/2026 • 12:27

Bandeira do Irã

Bandeira do Irã

REUTERS/Kemal Aslan

Resumo

A mudança de nome de Pérsia para Irã foi oficializada em 1935 por Reza Shah Pahlavi, visando alinhar o nome internacional ao termo usado internamente e reforçar a identidade nacional diante da influência estrangeira.

A origem dos termos remonta ao exônimo “Pérsia”, derivado do grego para a região de Pars, enquanto “Irã” vem do persa antigo “Aryanam”, significando “terra dos arianos”, sendo sempre o nome interno do país.

O nome Irã é o termo oficial reconhecido internacionalmente, mas Pérsia ainda é utilizado em contextos culturais e históricos, especialmente após decisão de 1959 que permite o uso intercambiável para preservar o valor cultural do termo.

O país hoje conhecido como Irã já foi chamado oficialmente de Pérsia em boa parte do mundo ocidental. A mudança de nome ocorreu em 21 de março de 1935, quando o então monarca Reza Xá Pahlavi solicitou formalmente que governos estrangeiros passassem a adotar o termo “Irã” em vez de “Pérsia” nas comunicações diplomáticas.

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A alteração foi comunicada às representações internacionais e à então Liga das Nações, antecessora da ONU. Desde então, “Irã” tornou-se o nome oficial do Estado-nação no cenário internacional.

De onde vem o nome Pérsia?

O termo “Pérsia” tem origem no grego antigo “Persis”, utilizado para designar a região de Pars (ou Fars), no sul do atual território iraniano. A palavra acabou se popularizando no Ocidente para identificar todo o império que floresceu a partir dali, especialmente durante o período do Império Aquemênida.

No entanto, “Pérsia” é considerado um exônimo — ou seja, um nome dado por estrangeiros. Internamente, o país sempre foi chamado de “Irã”, palavra derivada de “Aryanam”, expressão do persa antigo que significa “terra dos arianos” (no sentido histórico e linguístico do termo indo-iraniano).

Por que a mudança foi feita?

A decisão de adotar oficialmente “Irã” teve motivações políticas e simbólicas. Durante o governo de Reza Shah, iniciado em 1925, o país passava por um processo de modernização e fortalecimento da identidade nacional. O xá buscava reduzir a influência estrangeira — especialmente britânica e russa — e reforçar a soberania do Estado.

Ao exigir o uso de “Irã” nas relações internacionais, o governo pretendia alinhar o nome oficial ao termo já utilizado internamente pela população e destacar a continuidade histórica da nação iraniana.

Pérsia ainda pode ser usada?

Sim. Em 1959, durante o reinado de Mohammad Reza Pahlavi, filho de Reza Shah, o governo anunciou que os dois nomes poderiam ser utilizados de forma intercambiável em contextos culturais e históricos. A medida buscava reduzir a confusão internacional e preservar o peso cultural associado à palavra “Pérsia”, amplamente ligada à literatura, à arte e aos tradicionais tapetes persas.

Desde então, “Irã” permanece como o nome político e oficial do país, enquanto “Pérsia” continua sendo empregado em referências históricas, artísticas e culturais.

Irã ou Pérsia: qual é o correto?

Do ponto de vista diplomático e geopolítico, o nome correto é Irã. É assim que o país é reconhecido pela comunidade internacional e por organismos multilaterais.

Já “Pérsia” é um termo histórico e cultural, que remete às antigas civilizações da região e à herança milenar do povo iraniano. Ambos os nomes, portanto, estão corretos — mas em contextos diferentes.

A mudança de 1935 não representou o surgimento de um novo país, mas sim a oficialização internacional de um nome que já era usado internamente há séculos.