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Por que o Uruguai não tem feriado de Natal?

aís vizinho substituiu datas cristãs por nomenclaturas laicas, como Dia da Família e Dia das Praias, em processo de separação entre Estado e Igreja

Da redação
DA REDAÇÃO

26/12/2025 • 14:43 • Atualizado em 26/12/2025 • 14:43

Natal

Natal

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A ausência do Natal no calendário oficial do Uruguai não significa que os cidadãos deixaram de celebrar a data, mas sim que o Estado não a reconhece sob a ótica religiosa. Desde 1919, o país vizinho oficializou a completa separação entre a Igreja e o Estado, transformando feriados católicos tradicionais em datas civis.

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O processo de secularização, consolidado durante o governo de José Batlle y Ordóñez, resultou na Lei de Feriados de 1919. A legislação alterou os nomes de diversas celebrações cristãs para refletir valores universais ou nacionais. Com isso, o dia 25 de dezembro passou a ser oficialmente o Dia da Família. A mudança faz parte de uma estrutura constitucional que garante que nenhuma religião tenha privilégios ou reconhecimento jurídico superior a outra no âmbito público.

A substituição das datas e o impacto cultural

Além do Natal, outras datas importantes do calendário litúrgico foram renomeadas. A Semana Santa, por exemplo, é chamada oficialmente de Semana do Turismo. Já o dia 6 de janeiro, Dia de Reis, é celebrado como o Dia das Crianças, e o dia 8 de dezembro, dedicado à Imaculada Conceição, tornou-se o Dia das Praias, marcando o início oficial da temporada de verão no país.

Essa característica singular do Uruguai reflete uma identidade nacional pautada no secularismo. A postura institucional reforça a liberdade de crença, permitindo que cada indivíduo celebre a data conforme sua convicção pessoal, sem que o Estado endosse o caráter sagrado do evento. Na prática, as lojas fecham e as famílias se reúnem para a ceia, mas as referências governamentais e os documentos oficiais evitam terminologias religiosas.

Essa laicidade é um dos pilares da democracia uruguaia, sendo raramente questionada por partidos de diferentes espectros. O modelo uruguaio é frequentemente estudado como um caso isolado em um continente majoritariamente católico, onde a influência da Igreja costuma ditar o ritmo dos calendários nacionais.

Apesar da nomenclatura laica, o comércio e o setor de turismo seguem o ritmo global das festividades de fim de ano. O Dia da Família permanece como uma das datas mais importantes para o consumo e para o deslocamento de pessoas entre as cidades uruguaias, mantendo a tradição do encontro, ainda que desvinculado do dogma religioso institucional.