
Imagem ilustrativa de ciclone extratropical
Reprodução
Um ciclone extratropical deve atingir o Rio Grande do Sul, assim como estados do sudeste e centro-oeste do país, a partir desta terça-feira (9). A informação foi divulgada pelo meteorlogista Luiz F. Nachtigall, do Metsul, que afirmou que a combinação do calor com o ciclone é “explosiva” e de “altíssimo risco”.
Nos últimos anos, as passagens de outros ciclones no Rio Grande do Sul danificaram e destruíram mais de 8 mil casas, além de deixar dezenas de mortos e feridos. Só em 2023, o estado registrou, mais de uma vez, a passagem desse fenômeno.
Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul viveu a maior tragédia climática de sua história. Em apenas dez dias, choveu o equivalente a três meses inteiros. Mais de 420 milímetros de chuva caíram sobre o estado, alagando cidades, destruindo casas e provocando o colapso de estruturas públicas.
Um levantamento exclusivo da Sala Digital, parceria da Band com o Google, mostra, em dados, o impacto da tragédia no passado, presente e as preocupações com o futuro. A pergunta “O que causou a enchente no Rio Grande do Sul?” foi uma das mais buscadas no Google no Brasil em 2025. O interesse não veio por acaso: a resposta envolve uma combinação de fatores extremos.
Mas como os ciclones se forma e quais fatores influenciam para que ele permaneça nesta região?
Ana Clara, meteorologista do Climatempo, explicou que os ciclones surgem para balancear o clima global.
“A região equatorial e tropical recebem mais calor em comparação a região polar. Então, os ciclones e as frentes frias surgem para conseguir misturar o ar quente com o ar frio e tentar chegar a um equilíbrio térmico”, explicou.
A especialista afirmou que a região sul do Brasil é propícia para a formação de ciclones por ter um gradiente de temperaturas do oceano. A corrente quente, que sai do nordeste brasileiro, chega até o Rio Grande do Sul e se encontra com a corrente marítima fria, que sobe da Argentina e Uruguai, também em direção ao estado gaúcho.
“Esse gradiente de temperatura acaba gerando uma região mais favorável à ocorrência de ciclones. Além disso, nesse ano, a circulação mais quente e úmida do ar vindo da Amazônia chegou até a região sul do Brasil com muito mais força, levando ao escoamento de umidade. Então, houve uma convergência de fatores”, disse.
O ciclone influencia as temperaturas em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, mas a meteorologista afirma a tendência é que o fenômeno se desloque em direção ao oceano e não subam para o sudeste do país.
"A gente teve um ciclone em julho que se aproximou muito da região de São Paulo, mas não chegou a adentrar. Mas os ciclones que surgiram no sul do Brasil, que são ciclones extratropicais, não costumam fazer esse tipo de trajetória”, completou.
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