
Povo dança na Praça dos Reféns, em Tel Aviv
Reprodução/Reuters
Dois anos de baladas tristes, de repente um improviso de músicos levou a multidão a dançar na Praça dos Reféns, em Tel Aviv, enquanto o governo, reunido em Jerusalém, votava o acordo de cessar-fogo e troca de 58 reféns por 1.950 prisioneiros palestinos.
Alívio entre israelenses. Desde cedo o governo tinha a certeza da aprovação unânime do acordo engendrado pelo presidente Donald Trump e oito líderes árabes e muçulmanos, com alguns tópicos já aprovados anteriormente por Israel. Participaram da reunião do governo o enviado especial da Casa Branca às missões de paz, Steve Witkoff, e o genro do presidente Trump, Jared Kushner.
A reunião começou com atraso de três horas porque o ministro da Segurança Nacional Ben Gvir, de extrema-direita, quis rever os nomes dos 250 prisioneiros condenados à prisão perpétua que serão trocados por 58 reféns, dos quais 20 estão vivos. Mas ele parece não ter encontrado nenhum dos nomes dos que há anos Israel se recusa a libertar.
“Nossos corações estão repletos de alegria, felicidade e entusiasmo pelo retorno esperado de todos os reféns”, disse Ben Gvir em um comunicado. “Mas, além dessa alegria, não devemos — em hipótese alguma — ignorar o preço: a libertação de milhares de terroristas, incluindo 250 assassinos.” Seu partido, Otzama Yehudit (Poder Judaico), votou contra o acordo. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, do partido Sionismo Religioso, o seguiu, mas ambos não saíram do governo agora. Deixaram para depois abandonar Netanyahu minoritário com 47 votos entre os 120 do Parlamento, pendente de um voto de confiança para cair, levando o país a antecipar as eleições, previstas para o ano que vem.
Por enquanto, o governo conta com uma rede de proteção do “bloco da mudança” para não cair. E já está atraindo parceiros religiosos que o abandonaram por causa da convocação de jovens religiosos para o exército, criando sua própria rede de segurança. O Parlamento vai voltar do recesso de verão na semana que vem. E, provavelmente, ouvirá um discurso de Donald Trump.
O presidente Trump viajará para Israel no domingo, talvez já como prêmio Nobel da Paz, a ser anunciado nesta sexta-feira, em Oslo. Seu amigo Netanyahu distribuiu uma fotomontagem dele já condecorado. Mais tarde, distribuiu fotos, essas reais, de Kushner e Witkoff, sentados junto a ministros, na reunião para aprovação do acordo de cessar-fogo.
Embora Trump deva ficar apenas oito horas em Israel, discursando no Parlamento e visitando o Muro das Lamentações, dois andares do hotel King David, em Jerusalém, foram reservados para ele, com hóspedes sendo convidados a se retirar. Nessa semana da festa de Sucot, que lembra o êxodo dos israelitas pelo deserto, fugindo da escravidão no Egito, o turismo cresce em Israel, ainda mais com a perspectiva da volta de reféns e dias de júbilo apagando a tristeza de dois anos de guerra e cativeiro.
“Os reféns voltarão na segunda ou terça-feira”, disse Trump a repórteres no Salão Oval, ao lado do presidente da Finlândia. “Provavelmente, estarei lá. Espero estar lá. Estamos planejando partir em algum momento no domingo e estou ansioso por isso. Vejo que vocês estão comemorando em Israel, mas eles (os palestinos) também estão comemorando em muitos outros países.” Candidato ao Prêmio Nobel da Paz, ele lembrou sua participação em oito acordos que acabaram com conflitos ao redor do mundo. O último, o de Gaza, o maior.
O cessar-fogo só começaria depois de ratificado o acordo pelo governo, em Jerusalém. Israel pediu que os palestinos não tentassem voltar para os locais de onde foram deslocados, principalmente a Cidade de Gaza. Um grupo “do Hamas”, segundo o porta-voz militar israelense, foi atacado no bairro de Sabra, 40 deles ficando sob escombros.
O líder do Hamas que sobreviveu ao bombardeio em Doha, no mês passado, Khalil al-Hayya, reclamou, lembrando as garantias recebidas para o cessar-fogo pelo Egito, Catar e Turquia. Mas o cessar-fogo só passaria a vigorar depois de ratificado pelo governo israelense.
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