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Prefeito de Cabedelo (PB) é afastado dois dias após eleição suplementar

Edvaldo Neto é investigado por suposto esquema com facção criminosa que desviou R$ 270 milhões; vereador José Pereira assume o cargo interinamente

JÉSSICA AQUINO

14/04/2026 • 21:58 • Atualizado em 14/04/2026 • 21:58

Prefeito de Cabedelo (PB) é afastado dois dias após eleição suplementar

Prefeito de Cabedelo (PB) é afastado dois dias após eleição suplementar

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A cidade de Cabedelo, na região metropolitana de João Pessoa, vive um cenário de instabilidade política apenas 48 horas após a realização de sua eleição suplementar. Edvaldo Neto (Avante), eleito para comandar o executivo municipal, foi afastado do cargo nesta terça-feira (14) por determinação do Poder Judiciário. O político é um dos alvos centrais da Operação Cítrico, deflagrada em conjunto pela Polícia Federal, Ministério Público e Controladoria-Geral da União (CGU).

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A ação mobilizou equipes nas primeiras horas do dia para o cumprimento de 21 mandados de busca e apreensão. Os policiais estiveram no apartamento de Edvaldo Neto, em Cabedelo, e em endereços de outros investigados, incluindo advogados e empresários. Devido ao envolvimento de profissionais do direito, a Comissão de Prerrogativas da OAB-PB, representada por Tiago Corassari, acompanhou os procedimentos na sede da Polícia Federal na capital paraibana.

Consórcio criminoso e desvio de R$ 270 milhões

As investigações apontam para a existência de um sofisticado "consórcio" criminoso operando na alta cúpula da administração de Cabedelo. Segundo as autoridades, o grupo é formado por agentes públicos, empresários e integrantes de uma facção criminosa, que se uniram para fraudar licitações públicas. O prejuízo estimado aos cofres do município portuário ultrapassa a marca de R$ 270 milhões.

Além das fraudes licitatórias, o grupo é investigado por uma série de crimes graves, como lavagem de dinheiro e desvio direto de recursos públicos. Um dos pontos mais críticos do inquérito apura o possível financiamento de atividades de facções criminosas com verba proveniente da prefeitura. Em áudio obtido pelo Jornal da Band, Octávio Paulo Neto, coordenador do Gaeco na Paraíba, ressaltou a complexidade do esquema e a necessidade de interromper o fluxo financeiro ilícito.

Defesa e sucessão municipal

A decisão judicial que determinou o afastamento de Edvaldo Neto é considerada uma medida cautelar, necessária para preservar a coleta de provas e impedir a continuidade de eventuais irregularidades. Em nota oficial, o prefeito afastado afirmou ter recebido a notícia com serenidade. Edvaldo Neto negou veementemente qualquer vínculo com o crime organizado, classificando a acusação como "absolutamente inverídica" e incompatível com sua trajetória na vida pública.

Com a vacância temporária do cargo, a sucessão municipal foi ativada. Conforme explica Nathali Rolim, da Comissão de Direito Eleitoral, o rito legal prevê a ascensão do presidente da Câmara Municipal. Com isso, o vereador José Pereira assumiu o comando da Prefeitura de Cabedelo interinamente. A cidade aguarda agora o desdobramento das investigações para definir se haverá novos prazos eleitorais ou a manutenção do mandato interino.