A Prefeitura de São Paulo adota o uso de tecnologia robótica para inspecionar e limpar galerias de esgoto, em uma tentativa de mitigar o problema crônico dos alagamentos que atingem a capital a cada temporal. O equipamento, único no país, é dotado de câmeras que percorrem as tubulações subterrâneas para identificar pontos de obstrução e falhas estruturais que as equipes de manutenção humana não conseguem alcançar.
A medida ocorre em um cenário de urgência climática e infraestrutural. Apenas nas zonas Norte e Oeste da cidade, as autoridades mapearam 281 pontos críticos sujeitos a inundações.
O volume de resíduos retirado das galerias e córregos impressiona: em 2025, a administração municipal removeu quase 200 mil toneladas de lixo, terra e entulho desses locais.
Fiscalização tecnológica e irregularidades
Durante as operações de inspeção, o robô revelou problemas estruturais graves que contribuem para a saturação do sistema de drenagem. As imagens captadas pela câmera do dispositivo mostraram tubulações da Sabesp instaladas irregularmente dentro da rede de captação de água da chuva. Além da ocupação indevida do espaço, foram detectados vazamentos na rede.
O secretário das Subprefeituras de São Paulo esclarece que essa interferência prejudica o fluxo correto dos resíduos. Segundo ele, é fundamental que haja a separação adequada: a água de esgoto deve seguir para tratamento, enquanto a água da chuva precisa ser direcionada aos córregos e rios pela galeria pluvial. A mistura ou o vazamento de esgoto na galeria pluvial pode aumentar indevidamente o volume de carga suportado pela infraestrutura.
Em resposta aos problemas identificados pelo monitoramento robótico, a Sabesp informou que já realizou os reparos necessários nos trechos citados.
O desafio do lixo e da manutenção
Apesar do avanço tecnológico, o descarte irregular de lixo continua sendo um dos principais entraves para a eficácia das bocas de lobo. O repórter registra que, mesmo em áreas com previsão de chuva forte, é comum encontrar grande quantidade de sacolas plásticas e detritos acumulados exatamente ao lado dos pontos de escoamento. Esse material é levado diretamente para os bueiros na primeira enxurrada, causando entupimentos imediatos.
O impacto é sentido diretamente pelos moradores. Bruno, residente de uma das áreas afetadas, relata que mesmo com a limpeza das bocas de lobo em frente à sua residência, a rua voltou a inundar na última chuva. Ele descreve que a força da água, potencializada pela passagem de ônibus e carros, cria ondas que superam as comportas domésticas e invadem as casas.
Especialistas ouvidos pelo Jornal da Band ressaltam que a solução para o problema exige um tripé de ações: obras de manutenção constantes, limpeza eficiente e uma estratégia robusta de educação ambiental para impedir que o lixo obstrua o sistema.
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