Band Jornalismo

Premiê do Canadá deixa G7 sem reunião com Trump e nega ‘desfeita’

Carney minimizou a ausência de um compromisso oficial e descartou qualquer sinal de desprestígio ou desentendimento entre as nações

Da redação
DA REDAÇÃO

17/06/2026 • 09:38 • Atualizado em 17/06/2026 • 09:38

Donald Trump

Donald Trump

REUTERS/Elizabeth Frantz

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, deixa a cúpula do G7 nesta quarta-feira (17) sem realizar uma reunião bilateral formal com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Embora encontros agendados sejam a praxe na diplomacia entre os dois vizinhos norte-americanos, Carney minimizou a ausência de um compromisso oficial e descartou qualquer sinal de desprestígio ou desentendimento entre as nações.

Compartilhar

De acordo com o premiê canadense, a falta de uma agenda oficial foi suprida por intensos diálogos informais nos bastidores do evento. Carney relatou ter conversado com o presidente americano entre sete e oito vezes nas últimas 36 horas, com previsões de novos encontros antes de sua partida.

Entre os temas discutidos estiveram o panorama econômico global, inteligência artificial, as crises na Ucrânia e no Irã, além de assuntos pessoais, como o aniversário do mandatário americano.

O distanciamento formal ocorre em um momento de extrema sensibilidade para a economia canadense. O pacto de livre-comércio que integra Canadá, Estados Unidos e México desde o início da década de 1990 tem prazo de renovação estipulado para o próximo dia 1º de julho.

Na última semana, Trump aumentou a pressão ao declarar que estuda a possibilidade de não renovar o tratado. O desfecho das negociações é considerado vital para o mercado canadense, que destina aproximadamente 75% de suas exportações para o território vizinho.

Apesar do tom de incerteza alimentado por Washington que, segundo o ministro canadense Dominic LeBlanc, pode tentar impor revisões anuais ao texto para fragilizar a estabilidade do bloco, a equipe técnica do Canadá reportou progressos. LeBlanc e a principal negociadora do país, Janice Charette, mantiveram reuniões de trabalho com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, e afirmaram que as tratativas avançaram.

A preferência de Trump por interações informais não se restringiu ao Canadá. Na cúpula sediada na França, o presidente anfitrião, Emmanuel Macron, foi o único líder do G7 a obter uma audiência bilateral formal com o norte-americano. Fora do bloco, Trump optou por agendas exclusivas com os líderes convidados do Catar, Emirados Árabes Unidos, Egito e Índia.

Para analistas e diplomatas experientes, como o senador canadense Peter Boehm, a dinâmica não reflete uma desfeita, uma vez que o formato das cúpulas oferece tempo substancial para debates profundos à margem dos canais oficiais.

A proximidade entre Carney e Trump ficou evidente em momentos de descontração captados pelos microfones do evento, quando os dois líderes ironizaram o relógio de Macron antes de iniciarem debates de teor protecionista.

No centro da pauta esteve a recente decisão do Canadá de reduzir a tarifa de importação de 100% sobre veículos elétricos chineses em troca de contrapartidas para o seu setor agrícola, uma postura que diverge do alinhamento duro de Washington.

Para tranquilizar o aliado, Carney detalhou a Trump que o acordo com Pequim estabelece uma barreira rígida, limitando a entrada de automóveis chineses a menos de 3% do mercado local, o equivalente a cerca de 49 mil unidades. A explicação sobre a imposição de uma "linha dura" obteve a aprovação imediata do presidente norte-americano.

Segundo o primeiro-ministro canadense, embora o líder dos EUA não acompanhe os pormenores de cada acordo internacional firmado por Ottawa, o modelo de cotas bilaterais agradou à Casa Branca, motivando inclusive conversas subsequentes de acompanhamento durante o fórum.