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EUA investigam supostas ligações de presidente da Colômbia com tráfico

Promotores em Nova York apuram supostos pedidos de propina para barrar extradições de traficantes colombianos aos Estados Unidos

Da redação
DA REDAÇÃO

20/03/2026 • 16:48 • Atualizado em 20/03/2026 • 16:54

Gustavo Petro

Gustavo Petro

Reuters/Luisa Gonzalez

Promotores federais em Nova York investigam o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, por supostas ligações com traficantes e pedidos de suborno para barrar extradições, segundo fontes ouvidas pela agência Associated Press nesta sexta-feira (20).

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De acordo com essas pessoas, equipes das procuradorias do Brooklyn e de Manhattan vêm interrogando narcotraficantes sobre possíveis vínculos com Petro e suspeitas de que emissários do presidente teriam cobrado propina para evitar extradições.

Uma das linhas de apuração mira relatos de que representantes do governo colombiano abordaram detentos na prisão de La Picota, em Bogotá, oferecendo proteção contra o envio aos Estados Unidos em troca de pagamentos.

Apuração em Nova York ainda é inicial

As fontes falaram sob condição de anonimato por não estarem autorizadas a discutir o caso publicamente. Elas afirmam que a investigação está em fase inicial e que ainda não há indícios claros de crime atribuídos a Petro.

Segundo outra pessoa com conhecimento direto das apurações, o presidente colombiano passou a ser tratado como suspeito em inquéritos sobre tráfico de drogas conduzidos em Nova York. Essa fonte destaca que a Casa Branca não participa das investigações.

A existência da investigação foi noticiada pelo jornal The New York Times na manhã desta sexta-feira. Procurado, um porta-voz da presidência da Colômbia se recusou a comentar o caso ou eventuais desdobramentos jurídicos.

Petro nega laços com o narcotráfico

Petro nega reiteradamente qualquer ligação com o narcotráfico. As negativas se intensificaram depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, o chamou de "líder do tráfico ilegal" e o Departamento do Tesouro impôs sanções contra ele no fim de 2025, por supostas conexões com o comércio de drogas.

Na visão do presidente colombiano, seu governo combate os grandes cartéis, mas adota uma abordagem mais branda e social em relação a camponeses que cultivam folha de coca, priorizando programas econômicos em vez de mera repressão.

Relação com Trump tem histórico de atritos

Críticos descrevem Petro como um político de discursos por vezes sinuosos. Ele costuma atacar a gestão Trump pelo apoio a Israel, operações contra barcos de traficantes no Caribe e política migratória, que comparou a táticas "nazistas", o que levou Washington a revogar seu visto.

Mais recentemente, porém, ambos deram sinais de reaproximação. Depois de reunião em fevereiro na Casa Branca, Trump classificou o colega colombiano como "fantástico" em declarações à imprensa.

Família e passado ampliam escrutínio

Além das investigações nos EUA, autoridades colombianas apuram há anos suspeitas envolvendo familiares de Petro. Seu filho, Nicolás, responde a acusações de ter pedido doações ilegais de campanha a um traficante condenado, o que ele nega.

O irmão do presidente, Juan Fernando Petro, também é citado em supostas negociações com traficantes presos para evitar extradições em troca de desarmamento. Ex-integrante da guerrilha M-19, Gustavo Petro chegou ao poder prometendo reduzir a dependência de combustíveis fósseis e combater a pobreza.

Com informações do Estadão Conteúdo