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Protestos no Irã por problemas econômicos se espalham pelo país

De acordo com ativistas e agências de monitoramento, os protestos já atingiram todas as províncias do país, marcando um dos momentos de maior tensão desde as revoltas de 2022

Da redação
DA REDAÇÃO

08/01/2026 • 12:52 • Atualizado em 08/01/2026 • 12:57

Iranianos protestam em Berlim, na Alemanha

Iranianos protestam em Berlim, na Alemanha

REUTERS/Axel Schmidt

O Irã enfrenta uma nova e crescente onda de manifestações que, embora motivadas inicialmente pelo colapso econômico, transformaram-se em um desafio direto à estrutura de poder liderada pelo Aiatolá Ali Khamenei. De acordo com ativistas e agências de monitoramento, os protestos já atingiram todas as províncias do país, marcando um dos momentos de maior tensão desde as revoltas de 2022.

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A última quarta-feira, 7, foi registrada como o ápice das manifestações até agora. Pelo menos 37 grandes atos ocorreram simultaneamente em centros urbanos e áreas rurais. Embora a capital, Teerã, ainda mantenha uma rotina de normalidade em certos setores, o clima é de instabilidade.

Segundo a agência Human Rights Activists News Agency (HRANA), o saldo da repressão e dos confrontos já contabiliza:

38 mortos confirmados.

Mais de 2.200 detidos pelas forças de segurança.

Relatos indicam que o governo tem evitado, até o momento, o bloqueio total da internet ou o envio massivo de tropas de choque, táticas utilizadas na repressão após a morte de Mahsa Amini. No entanto, o registro de baixas entre as forças estatais — incluindo um coronel da polícia e dois oficiais mortos em tiroteios — pode servir de pretexto para uma resposta mais agressiva de Teerã.

Fator econômico e o rial

A raiz da insatisfação é o derretimento da economia iraniana, agravado pelas sanções internacionais e pelas consequências de um conflito recente com Israel ocorrido em junho. Em dezembro, a moeda local, o rial, atingiu a mínima histórica de 1,4 milhão por dólar.

Para efeito de comparação, antes da Revolução de 1979, a cotação era de 70 riais por dólar. Essa desvalorização brutal paralisou o comércio e gerou cenas simbólicas de desespero, como manifestantes descartando alimentos subsidiados que se tornaram inacessíveis.

Liderança em Xeque e Influência Externa

Um dos grandes dilemas do movimento é a ausência de uma liderança interna consolidada. Especialistas apontam que o aparato de segurança iraniano tem sido eficaz em exilar ou prender qualquer figura capaz de unificar a oposição, como é o caso da Nobel da Paz Narges Mohammadi, que permanece encarcerada.

Neste cenário, o príncipe herdeiro exilado, Reza Pahlavi, busca testar sua influência. Em vídeos divulgados via satélite, Pahlavi convocou a população para protestos coordenados de suas janelas nesta quinta e sexta-feira.

"A falta de uma alternativa viável minou os protestos anteriores. O regime prendeu ou exilou todos os potenciais líderes transformadores", afirma Nate Swanson, analista do Atlantic Council.

Reações internacionais

O governo dos Estados Unidos, através de Donald Trump e do Departamento de Estado, manifestou apoio aos manifestantes, alertando o regime contra o uso de violência letal. O Ministério das Relações Exteriores do Irã rebateu as declarações, classificando-as como "hipócritas" e uma tentativa de interferência nos assuntos internos do país.

Enquanto o Curdistão iraniano registra greves gerais e lojas fechadas, o mundo observa se este movimento terá fôlego para superar a magnitude das manifestações de 2022 ou se será contido pela força de um regime que, até agora, parece observar cautelosamente o tabuleiro político antes de um contra-ataque total.

*Com informações do Estadão Conteúdo.