
Neguinho da Beija-Flor
Reprodução/Instgram/neguinhodabeijafloroficial
O Partido dos Trabalhadores encomendou uma pesquisa para avaliar a viabilidade eleitoral do cantor e intérprete Neguinho da Beija-Flor como candidato ao Senado no Rio de Janeiro nas eleições de 2026. A ideia, articulada por Washington Quaquá, vice-presidente nacional do PT, busca aproveitar o prestígio popular do sambista e seu histórico de militância social. Mas há um entrave imediato: Neguinho está filiado há anos ao PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A vinculação ao PL, que consta no sistema do TSE desde 2013, provoca constrangimento entre petistas e adicionou complexidade à eventual candidatura. Para disputar por outra legenda, o artista precisaria se desfiliar formalmente e cumprir o prazo legal determinado pela Justiça Eleitoral. Petista que circulam por Brasília oferecem resistência.
Mesmo com o impasse, aliados de Quaquá afirmam que o nome de Neguinho é considerado uma aposta estratégica para ampliar o alcance do PT no Rio de Janeiro, especialmente entre o eleitorado popular. O dirigente defende que o partido deve investir em candidaturas fora do circuito político tradicional, com figuras de forte identificação social.
Neguinho, cujo nome de batismo é Antônio Carlos de Andrade, tem evitado confirmar qualquer negociação. Em declarações recentes, limitou-se a dizer que a possível candidatura “é coisa do Quaquá”.
Dentro do PT fluminense, a movimentação divide opiniões. Parte do grupo ligado à deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) — também cotada para disputar o Senado — vê a sondagem como um teste de popularidade. Há quem avalie que o nome do sambista poderia funcionar mais como vitrine eleitoral do que como projeto consolidado.
Quaquá, porém, insiste na aposta. Argumenta que Neguinho tem “voz e carisma” para dialogar com diferentes camadas do eleitorado. O artista é uma das figuras mais reconhecidas do carnaval carioca e por décadas representou a Beija-Flor de Nilópolis, escola que costuma exaltar temas ligados à cultura e à identidade negra.
O desafio para o PT será equilibrar o simbolismo do gesto com as barreiras práticas da política. Além da indefinição sobre alianças, o partido precisa lidar com o fato de que sua potencial aposta ao Senado ainda pertence oficialmente ao partido de seu principal adversário político. Há também o histórico de desgaste entre Neguinho e Lula: após um período de afastamento motivado por uma música satírica envolvendo o triplex do Guarujá, os dois retomaram a amizade em 2022, quando se encontraram na quadra da Unidos da Tijuca.
O sambista prometeu, na ocasião, compor um samba em homenagem ao petista e declarou publicamente apoio à candidatura de Lula à Presidência.
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