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Qual a dimensão da crise de intoxicação por metanol?

Por Redação
REDAÇÃO

07/10/2025 • 23:13 • Atualizado em 07/10/2025 • 23:13

Eduardo Oinegue

Você tem noção do tamanho que tem a crise do metanol? Você acha que o clima de medo instalado faz sentido? Bom, os governantes é que deveriam ajudar a gente a entender o que está acontecendo, deveriam dar as respostas, mas parece que eles estão mais preocupados com os holofotes. Então a gente que se dane, a gente que fique desorientado com essa confusão de dados envolvendo caso suspeito, caso confirmado, morte suspeita, morte confirmada. E já que eles não ajudam, vamos a gente pensar um pouquinho.

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O mercado clandestino de bebidas destiladas, ele é abastecido por contrabando e fabricação de fundo de quintal. A polícia nunca descobriu, e nunca é nunca na história, uma única destilaria grande em atividade clandestina, nunca! A maior delas foi estourada há quase 10 anos, produzia num ano o que o Brasil consumia de destilado a cada 3 horas. Hoje mesmo chegaram a mais uma "boca de porco" de quinta categoria no interior de Pernambuco, coisa de 10 mil garrafas/mês de produção.

Então, se o abastecimento clandestino é resultado de centenas e centenas de destilarias pequenas, como, de uma hora para outra, a gente passou a ter casos suspeitos espalhados por 15 ou 16 estados? Será que uma pequena destilaria, que por definição produz pouco, do contrário seria grande... Será que uma desenvolveu um sistema de distribuição de grande destilaria e espalhou a produção contaminada por 15 ou 16 estados, onde estão aparecendo os casos suspeitos? É pouco provável.

Outra possibilidade: os donos de destilarias clandestinas, espalhados pelo Brasil, se consorciaram para produzir uma quantidade maior de bebidas destiladas com mais metanol, numa espécie de atentado coletivo. Faz sentido isso? Não, não faz. Sem falar que não tem lógica imaginar que alguém que ganha a vida vendendo bebida clandestina decida destruir o negócio com o uso exagerado de metanol.

Então se você eliminar essas alternativas, resta a possibilidade de um lote de bebidas contaminadas atingindo uma área restrita do país. E a profusão de casos suspeitos fora dessa área é resultado de um alerta duplo que surgiu depois dos primeiros casos dentro dessa área.

O primeiro alerta foi feito para a sociedade, para procurar o sistema de saúde diante de sintomas que possam parecer contaminação por metanol. Segundo alerta, feito para a rede de saúde, para que preste atenção aos casos de pessoas que cheguem com sintomas que possam parecer contaminação por metanol. E, talvez por esse motivo, o número de casos suspeitos esteja subindo, porque todo caso que chega à rede de saúde com a descrição dos sintomas passou a ser considerado suspeito.

Agora, olha que curioso: ainda que o número de casos suspeitos suba, o número de casos confirmados, que é resultado dos exames apropriados, não está subindo nessa velocidade. E o número de mortes confirmadas também não. Até agora são 3 as mortes confirmadas. E o número de casos confirmados são 17. Já os casos suspeitos, mais de 200.

Você percebe? A pessoa que bebeu, que antes de ouvir falar do metanol ia ficar em casa, agora procura o posto de saúde porque está com medo. E se está com medo, tem mais é que ir mesmo. Aí lá, ela é acolhida por um médico que, antes, ia tratar essa pessoa por embriaguez, e agora, devidamente alertado, adota acertadamente os procedimentos de um caso suspeito de contaminação por metanol. E como iniciar o tratamento imediatamente num caso suspeito é mais importante do que ficar fazendo exame para ver se o caso suspeito é confirmado ou não, a pessoa começa a receber o cuidado como se estivesse contaminada. E a informação exata, separando casos suspeitos e casos confirmados, não avança na velocidade suficiente para dar a exata dimensão dessa crise.

Para complicar, as autoridades ficam dando entrevistas, falando feito matracas, falando em "situação", "sala de situação", falando em operação contra sonegação, misturando alhos com bugalhos. A sociedade precisa de respostas claras e simples, e elas não estão saindo com precisão. Afinal, quantos casos estão confirmados? E só os casos confirmados de fato aconteceram no Brasil. Atualiza esse dado! Em que cidade esses casos confirmados aconteceram? Onde as pessoas que, comprovadamente, foram contaminadas compraram a bebida? É isso que interessa, o resto é espuma. Para começar a enfrentar essa crise como adultos, os governantes deveriam se unir, em vez de cacarejar. A gente precisa de esclarecimento, não de mais confusão.

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