
Reprodução/ Jornal da Band
“Quem colonizou a Argentina?”. A pergunta é uma das mais feitas pelos brasileiros nesta quinta-feira (16) no Google, impulsionada pelo clima de despedida da Copa do Mundo. Para quem interessar, foram os espanhóis. A história, porém, envolve navegadores azarados, uma busca obsessiva por prata que nunca existiu por lá e um projeto de nação que tentou — e em grande parte conseguiu — convencer o mundo de que os argentinos "chegaram de barco" diretamente da Europa.
Quem colonizou a Argentina?
A colonização formal começou no século XVI, mas os primeiros espanhóis a pisarem lá não tiveram vida fácil. O navegador Juan Díaz de Solís chegou ao Rio da Prata em 1516, mas acabou morto por indígenas charruas assim que desembarcou. Anos depois, em 1536, Pedro de Mendoza fundou o primeiro assentamento de Buenos Aires. O lugar, porém, foi abandonado em 1541 devido à fome e aos ataques constantes de populações nativas, fazendo com que os sobreviventes fugissem para Assunção, no Paraguai.
A ocupação definitiva do território argentino aconteceu por três "correntes" diferentes:
- A Corrente do Leste: vinda diretamente da Espanha e, posteriormente, de Assunção, fundando cidades como a segunda Buenos Aires (1580) e Santa Fé.
- A Corrente do Norte: vinda do Alto Peru (atual Bolívia), seguindo caminhos incas para buscar uma saída para o Oceano Atlântico.
- A Corrente do Oeste: vinda do Chile, cruzando a Cordilheira dos Andes para fundar cidades como Mendoza e San Juan.
O próprio nome "Argentina" é uma herança dessa época: vem de argentum (prata, em latim), fruto de uma lenda de que a região esconderia montanhas do metal precioso. A prata, no caso, estava no Peru e na Bolívia; a Argentina ficou apenas com o nome.
O "xerife" do sul e a briga com os vizinhos
Por muito tempo, o território argentino foi apenas um "puxadinho" do Vice-Reino do Peru. A Espanha só resolveu dar atenção de verdade para a região em 1776, quando criou o Vice-Reino do Rio da Prata. Era necessário conter o avanço dos portugueses (que vinham do Brasil) e as incursões de britânicos e franceses que de olho no Sul do continente.
Buenos Aires tornou-se a capital e o principal porto, enriquecendo rapidamente com o comércio e, claro, com o contrabando. Essa estrutura durou até 1810, quando a Revolução de Maio deu o pontapé inicial para a independência, formalizada em 1816.
O mito da "Argentina Branca" e o apagamento histórico
Aqui entra a parte que explica por que muita gente ainda vê a Argentina como o país mais europeu da América Latina. Após a independência, o Estado argentino promoveu um projeto de "branqueamento" da população. No século XIX, enquanto incentivavam a imigração em massa de europeus (principalmente italianos e espanhóis), as elites locais utilizavam populações negras e indígenas como "bucha de canhão" em guerras, como a do Paraguai e as lutas de independência.
Em 1780, cerca de 50% da população de várias províncias era negra. No entanto, censos posteriores simplesmente pararam de registrar essa ancestralidade, criando o mito de que os negros "desapareceram" naturalmente. Hoje, a Argentina vive um processo de redescoberta dessas raízes, confrontando a ideia de que o país foi colonizado apenas por quem desceu dos navios europeus.
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