
Alireza Arafi
Vatican Media/Handout via REUTERS
Resumo
Nomeação de Alireza Arafi como membro jurista do Conselho de Liderança do Irã ocorre após a morte do líder supremo Ali Khamenei em ataque atribuído aos Estados Unidos e a Israel, estabelecendo conselho provisório para conduzir o país até a escolha de um novo líder pela Assembleia de Peritos.
Composição do triunvirato inclui Arafi, presidente Masoud Pezeshkian e chefe do Judiciário Gholam Hossein Mohseni Ejehei, sendo Arafi o clérigo mais graduado e vice-presidente da Assembleia de Peritos, além de integrar o Conselho dos Guardiões e dirigir o sistema de seminários islâmicos.
Trajetória de Arafi envolve proximidade com Khamenei, atuação internacional e defesa da incorporação de tecnologia às instituições religiosas, mas analistas apontam ausência de base política própria fora do círculo religioso, o que pode limitar sua influência após a transição.
O aiatolá Alireza Arafi foi nomeado neste domingo (1º) como membro jurista do Conselho de Liderança do Irã, órgão que deverá conduzir o país interinamente até a escolha de um novo líder supremo pela Assembleia de Peritos, segundo a agência de notícias ISNA.
A formação do conselho provisório ocorre um dia após a morte do líder supremo Ali Khamenei, durante um ataque conjunto atribuído aos Estados Unidos e a Israel na manhã de sábado (28).
Arafi dividirá a condução do país com o presidente Masoud Pezeshkian e com o chefe do Judiciário, Gholam Hossein Mohseni Ejehei. Em um regime teocrático, no qual apenas religiosos podem ocupar o posto de líder supremo, ele passa a ser o integrante mais graduado do triunvirato.
Aos 67 anos, o clérigo é vice-presidente da Assembleia de Peritos — responsável por nomear e supervisionar o líder supremo — e integra o Conselho dos Guardiões, órgão que analisa candidaturas e revisa leis aprovadas pelo Parlamento. Também dirige o sistema de seminários do país, que administra as instituições de ensino islâmico.
Considerado próximo de Khamenei, Arafi ganhou projeção poucos anos após a ascensão do líder supremo, em 1989. Segundo análise do Middle East Institute, sua trajetória teria sido construída de forma gradual como parte de um possível plano sucessório.
Fluente em árabe e inglês, é visto como um religioso com interesse em tecnologia. De acordo com agências locais, defende que as instituições religiosas incorporem ferramentas como inteligência artificial para ampliar a difusão da ideologia do regime.
Nos últimos anos, ampliou sua exposição pública ao representar o Estado em encontros internacionais — incluindo reunião com o Papa Francisco em 2022 — além de visitas a regiões atingidas por terremotos e pronunciamentos sobre segurança nacional, nos quais manifestou apoio à Guarda Revolucionária e ao fortalecimento das capacidades militares iranianas.
Trajetória
Nascido em 1959, em Meybod, na província de Yazd, Arafi vem de uma família clerical. Mudou-se para Qom aos 11 anos para aprofundar os estudos religiosos iniciados sob orientação do pai. Obteve o título de mujtahid, jurista islâmico de alta qualificação, com especialização em jurisprudência e filosofia islâmica.
Em 1992, aos 33 anos, foi nomeado líder das orações de sexta-feira em Meybod, gesto interpretado como demonstração de confiança de Khamenei. Posteriormente, assumiu o comando da Universidade Internacional Al-Mustafa, criada para difundir a ideologia da República Islâmica e formar lideranças xiitas no exterior.
Apesar da experiência acumulada na estrutura religiosa do Estado e dos cargos de destaque que ocupa, analistas avaliam que Arafi não dispõe de uma base política independente fora dessas instituições, fator que pode influenciar sua atuação durante o período de transição e seu futuro político após a escolha do novo líder supremo.
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